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Mulheres representam apenas 30% das contratações em Nova Andradina

No ano de 2016, 244 mulheres foram encaminhadas ao mercado de trabalho através da Casa do Trabalhador em Nova Andradina
Glaucia Piovesan, Da Redação / Imagens: Arquivo/Governo do MS
18/05/2017 13h00
O comércio foi o setor da economia que mais empregou / Imagens: Arquivo/Governo do MS

Dados fornecidos pela Casa do Trabalhador de Nova Andradina apontam que no ano de 2016 cerca de 700 mulheres fizeram o cadastro para concorrer a uma vaga, sendo que 244 mulheres foram encaminhadas ao mercado de trabalho.

 

O comércio foi o setor da economia que mais empregou. Foram 104 mulheres, o que corresponde a 42% do total das contratações. Em seguida, o setor que mais absorve a mão de obra feminina é o da agropecuária, empregando 80 mulheres, ou 32%. Os dois setores juntos respondem por 74% das contratações. Em terceiro lugar aparece o setor de serviços e, por último, a indústria, com a disponibilização de apenas 27 vagas durante todo o ano passado.

 

De acordo com Maria Aparecida Valdez, responsável pela Casa do Trabalhador, do total de vagas disponíveis apenas 30% são destinadas às mulheres. Houve ainda uma retratação na contratação de empregadas domésticas, devido as novas normas trabalhistas. “A procura diminuiu bastante com a necessidade de registro em carteira e outros direitos que as domésticas passaram a ter. Percebemos ainda que somente aquelas mulheres que não têm escolaridade ou nunca trabalharam é que procuram por oportunidades como diarista e faxineira”, ressalta Cida.

Maria Aparecida Valdez, responsável pela Casa do Trabalhador – Foto: Glaucia Piovesan/Jornal da Nova

Outro ponto observado pela gerente da unidade é que as mulheres procuram focar mais em suas qualidades. “O fator da escolaridade influencia muito no mercado de trabalho, então, elas procuram mais por qualificação, tiram carteira de habilitação, se esforçam para ter um ensino superior. Já o homem não tem muito essa vontade e disposição de buscar melhorar seu currículo”, compara.

 

A maioria que busca uma vaga de emprego na Casa do Trabalhador é do sexo feminino. São pessoas que querem dar uma guinada na vida. “Elas chegam e dizem: separei do meu marido. Perdi muito tempo. Quando você vai ver no currículo, a maioria parou de estudar, parou tudo por causa do casamento. Agora, estão vendo a necessidade de se qualificar”, afirma.

 

A construção civil é uma das áreas que começa a se abrir para as mulheres. Já foram registradas admissões como servente de pedreiro para serviços de acabamento em obras. Nas usinas, existem mulheres atuando como motoristas e tratoristas. “A procura aumentou porque elas trabalham com mais qualidade, mas costumo dizer a elas que precisam ter algo a mais no currículo, porque a concorrência é grande”, finaliza.

Apesar da discrepância salarial entre homens e mulheres, elas estão assumindo novos postos de trabalho

Dados do último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2010, revelam que em Mato Grosso do Sul, as mulheres são responsáveis pelo sustento de 36% das famílias. A cada dez lares, mais de três são providos por mulheres. E esse número tem aumentado ano após ano.

 

Apesar disso, ainda é visível o preconceito em relação as mulheres no mercado de trabalho.  Em Nova Andradina, isso se evidencia na questão salarial. Este é o ponto de vista da secretária de políticas públicas, Jozeli Chulli, que acredita existir uma discrepância de salários entre homens e mulheres tanto no âmbito público como o privado. “Há uma discriminação evidente. As mulheres ganham menos que os homens dentro de um mesmo cargo ou função”, pontua.

Jozeli Chulli, secretária da Secretaria Executivo de Políticas Públicas para as Mulheres - Foto: Glaucia Piovesan/Jornal da Nova

Por outro lado, a mulher está ganhando espaço em setores que eram restritos aos homens como a construção civil, motoristas de caminhão e ônibus e tratoristas. “A mulher quando encampa a ideia, foca em suas qualidades, busca qualificação. Este é o seu diferencial”, complementa a secretária.






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