• Paraíso17

Coração valente

*Felipe Pereira
07/08/2018 11h40

Vou levar vocês, meus amigos leitores, para uma época onde batalhas eram travadas constantemente. Um lugar onde pessoas lutavam com espadas e escudos, bravos guerreiros pereciam em batalha e o fraco não tinha vez.

 

Nesta mesma época, havia um jovem cujo o nome era Hogin. Este jovem possuía um coração nobre e uma alma de guerreiro; tinha muitas habilidades e manejava a espada como ninguém era capaz, somente ele. Hogin creditava suas vitorias ao um ser supremo que poucos conheciam naquela região. Algumas pessoas, nas altas horas da noite, viam Hogin dobrado em frente uma cruz dizendo coisas inaudíveis. Depois dessas preces, quando o sol surgia com sua beleza e majestade, Hogin partia em suas batalhas e sempre vencia. No campo de guerra ele era incrível, matava mais inimigos do que um exército.

 

Em uma noite qualquer, o povoado onde o jovem guerreiro morava, foi atacado na calada da noite por homens bárbaros. Esses homens tinham uma arma desconhecida daquele povo. Hogin ouvindo os gritos levantou-se apressado, mal teve tempo de vestir a armadura; colocou apenas a cota de malha e pegou a espada. Os olhos do mancebo ficaram impressionados com o que viram; em cima de uma carroça, uma arma cuspia bolas de fogo. Pouco a pouco o lugarejo ia sendo devorado pelas chamas. Hogin precipitou-se contra seus oponentes, matou muitos, mas não o suficiente para impedir a destruição de seu lar.

 

Quando o dia amanheceu, havia cinzas e corpos espalhados pelos cantos. Hogin foi para um lugar afastado e dobrou seus joelhos, com o coração despedaçado disse aos céus:

- Por que me abandonaste?

 

Seu coração e seu espirito ficaram desamparados. Uma pomba aproximou-se do rapaz e pousou em seu ombro. Naquele mesmo instante ele soube que tudo ficaria bem. Terminou sua reza e reuniu-se com os soldados remanescentes.

 - Eu nunca vi nada como aquela coisa! – Disse um dos guerreiros, assustado.

- Vamos todos morrer. – Retorquiu outro, já sem esperança.

- Ainda não acabou! Uma derrota não é o fim da guerra! – Falou Hogin.

- Você é só uma criança tola. Só porque matou muitos não significa que pode vencer o mundo. - Pronunciou o comandante, chamado Kort.

- Você fala como um tolo, e isso pode trazer a sua morte. – Falou Hogin com sabedoria.

 

O Comandante Kort sacou a espada e avançou sobre o garoto. Hogin esperou, quando a espada de Kort foi para feri-lo, o comandante sucumbiu ao chão. Caiu morto, do nada, sem intervenção de ninguém. Simplesmente morreu, antes que sua espada ferisse Hogin.

- O Deus da força está conosco, e venceremos. – Disse Hogin.

- Então por que ele permitiu que nosso vilarejo fosse destruído? Porque ele permitiu que perecêssemos? – Quis saber um dos oficiais.

- Porque hoje mesmo tomaremos as terras inimigas para nós.

 

Os homens remanescentes partiram para a batalha. Levaram todos os pertences, as mulheres, as crianças e os animais. Adentraram com furor as muralhas adversárias. O exército de Hogin não possuía mais que cem homens e o exército inimigo possuía mais de mil.

- O Deus da justiça e força nos dará esta batalha! – Gritou o jovem guerreiro.

 

A luta ficou acirrada. Homens caíram mortos no chão, porem nenhum dos de Hogin. O chão ficou escarlate com tanto sangue sobre ele. Até o céu se cobriu de negro com a fumaça da destruição. Os soldados inimigos atiraram bolas de fogo com aquela arma estranha, porém fortes rajadas de vento surgidas do nada devolvia o disparo contra seus autores. Em poucas horas o embate havia acabado. Todos os adversários de Hogin jaziam mortos. O garoto e seu povo habitaram naquele local, e lá permanecem até os dias de hoje. Mesmo em momentos de crises em outras nações, aquele reino consegue manter a prosperidade.

 

Se alguém perguntar por que aquela sociedade prosperou tanto, meus caros, apenas direi que tudo isso se deu pela fé de um coração valente.

 

*Estudante de contabilidade e morador de Nova Andradina 






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