• Paraíso17

Eleitor sim, alienado não

*Anselmo Tolotti
15/05/2019 08h00

Não só fui um eleitor do Presidente Jair Bolsonaro, como também um difusor e defensor de sua campanha nas redes sociais, e tudo isto porque era uma forma de cessar o estado de coisas implantado pela gestão da esquerda.

 

A expectativa com o novo governo em ver um País melhor é imenso, e claro, a possibilidade de algumas “derrapadas” administrativas não pode ser ignorada, a exemplo de quando ocorreu à ideia de fundir os Ministérios do Meio Ambiente com a Agricultura, chegou até dar calafrios, mas com sabedoria e humildade soube voltar atrás e seguir sua administração em consonância com os anseios não só de seus eleitores, mas também daqueles cidadãos que buscam um meio ambiente ecologicamente equilibrado e saudável para nós e futuras gerações.

 

Todavia, já com a proposta da reforma da previdência da forma como foi apresentada por Vossa Excelência, chega ser um descalabro, é óbvio, que seja necessária realmente uma reforma da previdência, só que não aumentando ainda mais o sacrifício daqueles que estão no front da peleja cotidiana na condição de assalariado com vencimentos abaixo do teto, uma vez que os desajustes hoje existentes na nossa previdência trata-se de problemas atuariais, somados a omissão e complacência do Estado para com os interesses do capitalismo selvagem de muitos empreendedores.

 

Se não vejamos:

Dívidas à previdência: Às empresas que mais devem hoje chegam a uma dívida de aproximadamente 500 bilhões de reais, e tudo por omissão do Estado, pois deixou de fiscalizar e cobrar os repasses das devidas contribuições dessas empresas ao ponto de alcançar o valor supracitado.

 

Questão atuarial: À Grosso modo quer dizer, estrutural, só para ter uma ideia, com as isenções de empresas tidas como filantrópicas, a previdência deixa de arrecadar cerca de 60 bilhões de reais anualmente, além da existência de uma série de tratamento privilegiado a outros tipos de empresas que se enquadra em um regime tributário simples, uma vez que pela regra geral deveriam repassar 20% do salário de cada funcionário ao INSS, entretanto, fazem apenas o pagamento único por mês, que varia entre 4,5% e 33% do faturamento bruto, e com este tipo de pagamento substitui a cobrança de vários impostos, entre estes, está à contribuição da previdência, e só para ter um parâmetro o quanto isto é vantajoso para os empreendedores, hoje 74% das empresas no Brasil optaram por este tipo de regime tributário.

 

Enfim, Excelentíssimo Senhor Presidente Jair Bolsonaro, se assim for aprovada essa proposta da reforma da previdência conforme se segue: aumentando a idade para 62 e 65 anos para mulheres e homens respectivamente, e ainda se tiverem no mínimo 20 anos de contribuições para se aposentar apenas com 80% do salário; redução do valor de todas as aposentadorias por idade e por invalidez; redução do benefício de prestação continuada (LOAS) para idosos e deficientes com idade entre 60 a 70 anos para R$ 400,00 mensal; reduzir o valor das pensões por morte para 50% do vencimento, podendo ser adicionando 10% por dependente até atingir o máximo de 100%; aumentando a idade para os agricultores em regime especial familiar para 60 anos e com no mínimo 20 anos de contribuições obrigatória; fim das aposentadorias especiais dos professores, enfermeiros e outras categorias que tem trabalho insalubre. Contudo, todas estas alterações, sem adotar medidas para fazer a cobrança dos grandes devedores da previdência, bem como não acabar com as isenções fiscais que beneficiam inúmeras empresas, assim sendo, Vossa Excelência ficará na história deste País, mas, como se fosse o Judas Iscariotes dos menos favorecidos, além de proporcioná-los danos irreparáveis.

 

*Biólogo, formado pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul e Pós Graduado em Educação e Gestão Ambiental, pelo Instituto de Ensino Superior de Nova Andradina.






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