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Expulso do PSL, Frota subiu tom nas redes sociais contra Bolsonaro

Deputado apagou suas contas em redes sociais nesta terça-feira. Mal-estar entre parlamentar e partido cresceu por críticas públicas feitas online
G1 / Imagens: Michel Jesus/ Câmara dos Deputados - 29.5.2019
13/08/2019 15h15
Alexandre Frota e Jair Bolsonaro vivem relação de altos e baixos / Imagens: Michel Jesus/ Câmara dos Deputados - 29.5.2019

O deputado federal Alexandre Frota — expulso nesta terça-feira (13) do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro — estava intensificando as críticas ao governo nas redes sociais nos últimos meses.

 

O parlamentar apagou suas redes sociais. Em entrevista à revista "Época", também nesta terça, ele afirmou que está cansado e que sai da vida digital porque "esses eleitores são da época Bolsonaro".

 

Frota filiou-se ao PSL em 4 de abril do ano passado, informa o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Entre a eleição de 2018, em outubro, e a expulsão do partido, a tônica dos comentários do deputado nas redes sociais mudou.

 

Um dos principais articuladores do PSL na votação da reforma da Previdência na Câmara, Frota passou, nos últimos dias, a criticar publicamente o governo e o presidente. Chegou a declarar que estava decepcionado com Bolsonaro e com a falta de articulação com os parlamentares.

 

A decisão do PSL pela expulsão foi por unanimidade, por nove votos. Foi tomada após reunião da sigla em Brasília e anunciada pelo presidente do PSL, Luciano Bivar. O pedido de desligamento de Frota partiu da deputada Carla Zambelli (PSL-SP), que havia declarado recentemente ao jornal "O Globo" que a situação do parlamentar no partido era "insustentável".

 

A expulsão não acarretará na perda do mandato de Alexandre Frota, que poderá permanecer como deputado em outra sigla.

 

Veja, abaixo, declarações do deputado desde aquela época:

Fevereiro de 2018

Em post de fevereiro do ano ano passado, portanto dois meses antes de sua filiação ao PSL, Frota disse que havia recebido um convite para entrar no partido. Ele, que também declarou apoio a Bolsonaro no post, justificou a recusa dizendo que estava filiado a outra sigla.

 

"Bolsonaro até o fim. Independente de partido. Aliás o PSL nunca havia me convidado nem antes e nem depois depois do Jair. 1 dia antes da minha filiação no Patriota é que surgiu o convite. Eu agradeci mas já havia fechado com o Patriota. #bolsonaro2018", escreveu no Twitter.

 

Outubro de 2018

No dia 5, Frota apoiava o então candidato à presidência Jair Bolsonaro. Em uma postagem, ele afirmou que “está liberado votar com a camisa do Bolsonaro”. Usou também a hashtag #VemComBolsonaro17.

 

Março de 2019

Com três meses de governo e um mês de atuação dos deputados, Frota afirmou que agora era considerado “persona non grata no governo Bolsonaro”. De acordo com o deputado, o racha teria acontecido por ele “defender a prisão do [Fabrício] Queiroz”, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente.

 

Frota também disse que “pediu o afastamento do senador [Flávio] p ele apenas se defender”.

 

Maio de 2019

Frota compartilhou uma entrevista que concedeu e afirmou gostar do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL), mas disse que “ele também pegou carona no pai, e como pegou”.

 

Junho de 2019

Voltou a criticar o presidente Bolsonaro por conta de Fabrício Queiroz. Frota apontou que Bolsonaro estava irritado com denúncias envolvendo o presidente do PSL, Luciano Bivar.

 

“Engraçado as denúncias do Queiroz /Flávio/funcionários fantasmas/ isso não irrita o nosso Presidente? Bolsonaro diz ser insuportável um partido assim, a gente também”, postou o deputado no Twitter.

 

No final do mês, voltou a criticar o governo, dessa vez por conta da reforma da Previdência. Frota afirmou que o governo estava “sem base” e que precisava “entender que o congresso principalmente a Câmara tem avançado nas pautas ".

 

“Não iremos jogar fora o que foi construído até agora. Hoje temos um sistema de Presidencialismo mas sem a coalizão. Então as escolhas são feitas”, disse.

 

Julho de 2019

No dia 14, compartilhou uma reportagem do G1 sobre o segundo turno da votação da Previdência, que ficaria apenas para agosto. Na ocasião, além da reportagem, comentou que “o governo Bolsonaro precisa entender que vem aí o segundo turno da Prev. e muitas outras pautas importantes”.

 

“Está na hora do Bolsonaro dar valor ao congresso e respeitar os deputados que fizeram um grande trabalho aprovando a previdência”, postou.

 

No dia 19, compartilhou uma entrevista concedida à revista “Época”, cujo título continha uma frase sua: “Bolsonaro é minha maior decepção”.

 

Na entrevista, perguntado o que achava de Jair Bolsonaro, o deputado respondeu: “Eu conheço dois Bolsonaros. O meu amigo, até o dia da eleição, e outro, presidente. Prefiro não falar mais.”

 

Agosto de 2019

Já no primeiro dia do mês, o deputado se posicionou contra a nomeação de Eduardo Bolsonaro ao cargo de embaixador nos Estados Unidos. Frota publicou um artigo assinado por ele, intitulado “Por que sou contra o Eduardo Bolsonaro em Washington”.

 

Nas redes sociais, Frota compartilhou reportagens e entrevistas suas sobre o assunto. Disse ainda que estava “torcendo muito que ele vá para os EUA e leve a turma FG Martins [Filipe Martins, assessor de assuntos internacionais da presidência], Leticia Cartel [Leticia Catani, ex-diretora da Apex] e cia.”

 

No dia 7 de agosto, o deputado se absteve na votação em segundo turno da reforma da Previdência, após ter sido retirado da vice-liderança do partido. Na ocasião, disse que o governo “não tinha necessidade mais que eu votasse naquele momento com eles”.

 

“Quando eu cheguei aqui [na Câmara], o Luciano Bivar [presidente do PSL] me informou que eu não era mais o vice-presidente do PSL e que eu estava saindo da coordenação da [reforma] Tributária, que eu tinha sido convidado por ele mesmo devido ao sucesso que tive na da Previdência. Além disso, que eu tinha perdido os meus três diretórios, inclusive o da minha cidade de Cotia”, afirmou na ocasião.

 

Frota disse que a retirada das posições tenha sido feita a pedido do presidente Bolsonaro.

 

O mal-estar culminou com a expulsão do deputado nesta terça. Ele tem propostas para compor outras legendas, como PSDB e DEM.






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