• Paraíso17

Aos pés grandes do Pé-grande

*Rodrigo Alves de Carvalho
04/11/2019 10h30

Embrenhado no meio da floresta, o valente aventureiro fica atento a cada movimento em sua volta. Sabe que todo cuidado é pouco num ambiente tão perigoso e hostil.

 

A cada passo que adentra em meio às árvores e vegetação espinhenta, tomando cuidado com os obstáculos criados pela natureza, o aventureiro solitário tem apenas uma meta em sua mente: “encontrar o lendário e tenebroso Pé-grande.

 

Muitas histórias são contadas sobre essa criatura que parece ser meio homem, meio macaco ou coisa parecida.

 

Testemunhas afirmam ter visto o famigerado Pé-grande, mas nunca de fato essa bizarra criatura foi apresentada em público.

 

Contudo, nosso desbravador e valente aventureiro decidiu de uma vez por todas acabar com essa dúvida histórica e agora está no encalço desse desconhecido monstro.

 

Seguindo algumas pegadas enormes deixadas sob a relva da floresta, o aventureiro com seu pesado equipamento numa grande mochila em suas costas caminha lentamente, sempre alerta para qualquer movimento estranho.

 

Um barulho estranho vindo de um ponto próximo a uma caverna que aos poucos foi se descortinando atrás da densa vegetação deixa nosso herói apreensivo.  Era como um ronco ou um rugir alto e assustador.

 

O aventureiro chega lentamente e quando se aproxima da entrada da caverna avista aquela criatura fantástica.

 

Com quase dois metros e meio de altura e o corpo coberto de pelos castanhos, com longos braços e pernas musculosas e o rosto que lembrava uma mistura de gorila com homem barbado, o Pé-grande finalmente havia sido encontrado.

 

O aventureiro se aproxima devagar e quando estava frente a frente com o Pé-grande, ambos olham um para o outro, imóveis.

 

O homem enfim tenta contato e é bastante sucinto em sua abordagem:

- Boa tarde senhor Pé-grande, tudo bem? O senhor não me conhece, mas estava lhe procurando há vários dias para lhe oferecer isso aqui.

 

E ao abrir a mochila, o Pé-grande fica com os olhos arregalados e com um sorriso no rosto peludo. O aventureiro continua:

- São vários sapatos números grandes. Tenho do número 50 ao 98. Como não sabia o número de seu pé grande trouxe vários pares para o senhor experimentar...

 

Foi assim que nosso aventureiro vendedor de sapatos conseguiu um bom lucro naquele dia.

 

*Jornalista, escritor e poeta, nasceu em Jacutinga (MG), possui diversos prêmios literários em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas. Em 2018 lançou seu primeiro livro individual intitulado “Contos Colhidos” pela editora Clube de Autores.



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