Após enviar carta à TV, Bruno é proibido de fazer faxina como punição

Redação


A Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) de Minas Gerais, em nota divulgada nesta sexta-feira, afirmou que o goleiro Bruno Fernandes "cometeu erro disciplinar ao ignorar as regras de segurança do Complexo Penitenciário Nelson Hungria", ao enviar uma carta ao público por meio de seu advogado, Rui Pimenta. A correspondência foi enviada ontem para o programa TV Verdade, da emissora mineira Alterosa. Nela, Bruno diz que não deu ordens para o desaparecimento de sua ex-amante, Eliza Samudio, que sumiu em 2010.

Como punição, o goleiro foi temporariamente proibido de realizar o trabalho de faxina na unidade e está recolhido em sua cela, com o direito das duas horas de banho de sol. Ele ainda deve prestar depoimento na segunda-feira para apresentar sua defesa à Comissão Disciplinar do Complexo Prisional, que determinará o fim ou extensão do recolhimento em cela.

Pelas normas da penitenciária, as correspondências precisam passar por um departamento específico, para registro e conferência de teor. A Seds disse ainda que a direção da unidade notificará a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) local sobre a atuação do advogado. Na carta entregue por Rui Pimenta ao programa, Bruno diz que cuidará do filho de Eliza, Bruninho, que ela dizia ser dele. "O Bruninho tem, sim, um pai, sempre teve, e vou honrar esse compromisso perante a sociedade."

"Te confesso, pelo sangue de Cristo Jesus, que nunca desejei, ordenei ou determinei, a quem quer que seja, o desaparecimento de Eliza Samudio", diz a carta, lida no ar. "Estou pagando já dois anos de prisão por um possível crime que não cometi e nem ordenei. Mas Deus é minha testemunha e saberá cobrar quem merece." O goleiro ainda reafirmou sua inocência. "Talvez o único erro da minha vida foi ter confiado em algumas pessoas, mas vou lutar com todas as forças para provar para o mundo que sou 'inocente'", diz o documento.

Plano B
A edição desta semana da revista Veja publicou uma carta que seria de Bruno a Macarrão. Na correspondência interceptada, Bruno diz ao amigo que, após conversar muito com os advogados, eles chegaram à conclusão de que "a melhor forma para resolvermos isso é usando o plano B". Segundo a revista, o plano A seria negar envolvimento no desaparecimento da ex-amante de Bruno, Eliza Samudio. No plano B, Macarrão assumiria a culpa para livrar o goleiro da cadeia.

O advogado de Bruno, no entanto, polemizou ao afirmar ao jornal O Estado de S. Paulo que o "plano B" seria, na verdade, o fim do relacionamento de seu cliente com o amigo. Bruno, segundo outro advogado, nega a versão. A defesa de Macarrão ameaça processar Rui Pimenta pelas afirmações sobre a sexualidade do amigo do goleiro.

O caso Bruno
Eliza desapareceu no dia 4 de junho de 2010 quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano anterior, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, então com 4 meses, estava lá. A então mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação de uma namorada do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.

No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão por cárcere privado, lesão corporal e constrangimento ilegal, e seu amigo, três anos de reclusão por cárcere privado. Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio Rosa Sales e Bola serão levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson também irão a júri popular, mas por sequestro e cárcere privado. Além disso, a juíza decidiu pela revogação da prisão preventiva dos quatro. Flávio, que já havia sido libertado após ser excluído do pedido de MP para levar os réus a júri popular, foi absolvido. Além disso, nenhum deles responderá pelo crime de corrupção de menores.

Terra
 

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