Delegacia investiga locais onde são enterradas vítimas do tribunal do tráfico

Redação


Antiga lenda de Itaboraí, o mistério sobre a localização de um cemitério clandestino a serviço de traficantes do Complexo da Reta Velha pode estar com os dias contados. Apesar da notícia e de possíveis endereços circularem há anos na ‘boca do povo’, a Delegacia de Homicídios de Niterói/São Gonçalo instaurou novo inquérito após receber informações recentes de vítimas do tribunal do tráfico enterradas na cidade da Região Metropolitana.

“Já vasculhamos dois terrenos, mas não encontramos nada. Agora, uma testemunha diz ter informações precisas. Como são terrenos grandes, vamos diminuir o raio de ação e cavar em breve”, informou o delegado, Wellington Pereira.

Também serão feitas investigações de blocos de assassinatos no município. Com isso, o delegado espera comparar os calibres das munições utilizadas para descobrir se algum grupo de extermínio estaria atuando na região. “Como o número de homicídios aumentou, temos que saber se a autoria está ligada a algum grupo”, diz o delegado. Ações semelhantes serão adotadas em outras cidades da Região dos Lagos como Araruama.

Conforme O DIA mostrou que nos primeiros cinco meses do ano, índices criminais como roubo a residências, lesões corporais dolosas e estupro, além de prisões e apreensões de drogas apresentaram aumento em comparação ao mesmo período do ano passado. Esse avanço da criminalidade estaria atrelado ao crescimento desordenado da cidade com a chegada do Complexo Petroquímico do Rio (Comperj).

Quem vive no bairro e sempre ouviu histórias do cemitério tem certeza de que corpos estão escondidos na mata. Segundo moradores, um dos endereços seria no final da localidade São Pedro, próximo ao Rio Iguá . “Depois da chegada de bandidos do Rio de Janeiro esses locais foram diversificados. Só que todos têm medo de denunciar, pois eles nos intimidam”, contou uma moradora da Reta Velha.

Drogas são vendidas em consignação

Durante as investigações da 71ª DP (Itaboraí), que culminaram com prisões preventivas de 41 acusados de tráfico de drogas, o que chamou a atenção foi a forma adotada pelos ‘chefes’ locais para conseguir drogas no Rio.

Bandidos da facção criminosa Comando Vermelho, que dominam toda venda de drogas no município, negociam o entorpecente de forma consignada — sendo o valor pago após a venda. Por isso, os criminosos foram flagrados em escutas lamentando as apreensões. “Quando perdem, ficam devendo e deixam de ganhar o valor da revenda”, informou Wellington.

Outro fato curioso é a forma de transporte da droga. Para não levantar suspeita e correr risco de perder grandes quantidades, traficantes recrutam mulheres, que trazem, escondida em mochilas, as cargas pelas barcas e de ônibus.

O Dia
 

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