Suplente de Demóstenes vai receber R$ 16 mil por um dia de trabalho

Redação


Suplente do ex-senador Demóstenes Torres, o senador Wilder Morais (DEM-GO) vai receber R$ 16,3 mil por um dia trabalhado no Senado em julho.

Como o Senado entrou em recesso parlamentar nesta quarta-feira e Morais só esteve no Senado na sexta-feira, quando tomou posse, o suplente vai receber proporcionalmente o salário mensal de R$ 26,7 mil.

Todos os 81 senadores recebem durante o recesso, mesmo com as atividades paralisadas. A diferença é que os demais trabalharam por 17 dias no mês.

Outro suplente também será beneficiado pela manobra. Tomás Correia, empossado ontem na vaga do presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), vai receber R$ 12 mil por nenhum dia de trabalho em julho.

Ele assumiu a vaga na última sessão do Senado antes do recesso. Raupp se licenciou do mandato para se dedicar às campanhas eleitorais municipais.

O parlamentar receberá proporcionalmente por 14 dias em que o Senado vai estar com suas atividades paralisadas.

Os dois suplentes também vão se beneficiar do "recesso branco" decretado pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), no segundo semestre. Para liberar os senadores a participarem das campanhas municipais nos Estados, Câmara e Senado vão ter apenas três semanas de trabalhos entre agosto e outubro.

Durante o recesso branco, todos os congressistas recebem os salários normalmente.

Além da remuneração mensal, os senadores têm direito a um "cotão" de R$ 15 mil para despesas relacionadas ao mandato. Também têm cota livre de telefone celular, carro próprio com motorista e despesas de gabinete cobertas pela Casa.

O regimento do Senado determina que o suplente seja empossado se o titular se afastar do mandato por mais de 120 dias. Raupp comunicou ao Senado que vai ficar fora da Casa por 121 dias --um a mais que o necessário para o suplente ser empossado.

O peemedebista nega que tenha feito um "acordo" com o suplente para ceder sua vaga. Afirma que a licença tem o objetivo de permitir sua participação na campanha eleitoral para a disputa municipal de outubro por ser presidente do PMDB.

Já Wilder assumiu a vaga com a cassação de Demóstenes. O suplente tomou posse 48 horas depois do ex-líder do DEM perder o mandato, embora tivesse o prazo de 60 dias para assumir o cargo.

Folha de SP

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