'Os furos e brechas nas nossas leis são gritantes', desabafa jovem

Redação


Vitor Suarez Cunha se diz decepcionado com a Justiça. Após ser espancado em fevereiro deste ano por cinco rapazes em uma praça da Ilha do Governador quando tentava defender um mendigo, seus agressores foram libertados da cadeia no último sábado. O jovem iniciou uma campanha, nesta segunda-feira, através do Twitter usando a hashtag #justicavitorsuarez, na tentativa de levar o assunto aos tópicos mais comentados da rede social

"Estou de luto, e não é de hoje. Não estou de luto só por mim, mas por todos nós que formamos um corpo chamado sociedade. Recentemente tive a notícia de que meus agressores estão em casa. Eu aqui, longe de tudo e de todos que cresci, longe dos meus amigos e família. Mesmo com vídeos, provas, fotos, e meu corpo sendo a maior prova de todo esse processo, os caras que quase me mataram estão livres. Os furos e brechas nas nossas leis são gritantes", indignou-se em um texto publicado em seu blog.

Em sentença proferida na última sexta-feira, o juiz Murilo Kieling, da 3ª Vara Criminal da Capital, decidiu pela desclassificação do crime. Com esta decisão, Tadeu Assad Farelli Ferreira, William Bonfim Nobre Freitas, Fellipe de Melo Santos, Edson Luis dos Santos Junior e Rafael Zanini Maiolino não serão julgados por um júri popular, e o processo será distribuído para uma vara criminal comum, a quem caberá analisar a denúncia e as provas.

Segundo o magistrado, para o reconhecimento da tentativa de homicídio doloso é indispensável que se demonstre o dolo de matar por meio de elementos objetivos. Entretanto, para o juiz, de acordo com as provas analisadas nos autos, não ficou configurada a intenção de matar por parte dos réus.

Na sentença, o magistrado determinou ainda a revogação da prisão preventiva do réu Rafael Zanini. Em relação aos acusados Tadeu, Willian, Fellipe e Edson Luis, foi convertida a prisão preventiva nas algumas medidas alternativas. Os réus ficam proibidos de qualquer contato ou aproximação física com a vítima Vitor Suarez Cunha e seus familiares; Eles são obrigados a comparecerem em juízo sempre no dia 30 de cada mês, ou no primeiro dia útil seguinte, durante expediente forense, informando seus endereços residenciais e esclarecendo sobre suas atividades.

Os rapazes ficam proibidos ainda de se ausentarem do território do Estado sem prévia autorização judicial; ficam obrigados ao recolhimento domiciliar diário, inclusive aos finais de semana, no período compreendido entre às 20h e 6h, ressalvada a excepcionalidade para eventual atendimento médico-hospitalar ou nos demais casos precedidos de prévia autorização judicial.


O Dia
 

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