Polícia encontra corpo que pode ser do DJ Chorão

Redação


Agentes da 21ª DP (Bonsucesso) encontraram, na manhã desta sexta feira (28), perto de uma ponte na Ilha do Governador, o tronco de um corpo que eles acreditam ser de Raphael Rodrigues da Paixão, o DJ Chorão de 26 anos. Segundo o delegado da 21ª DP (Bonsucesso), José Pedro Costa Silva, o corpo será encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML), onde será submetido a teste de DNA feito com material genético de Jorgenete Rodrigues da Paixão de 40 anos, mãe da vítima.

A polícia chegou até o corpo através de denúncias de moradores da localidade. Ainda segundo a polícia, de acordo com informações passadas, os restos mortais que seriam do DJ foram colocadas em um pequeno barco na Baía de Guanabara. O delegado disse também que seis suspeitos de participação no crime foram identificados. As buscas continuam.

A polícia confirmou nesta quinta-feira que o DJ foi realmente morto por traficantes da Favela Parque União, no Complexo da Maré. O jovem, que desapareceu sábado, foi submetido ao ‘tribunal do tráfico’ e esquartejado vivo na frente de moradores, como site O Dia noticiou ontem com exclusividade. Bandidos ocuparam a casa que ele morava, na Rua da Paz, e montaram uma boca de fumo. O carro dele, um Palio branco, também foi queimado.

“Não estamos trabalhando com a possibilidade de desaparecimento dele (DJ Chorão), mas, sim, com a execução. O Chorão começou a ter uma carreira muito independente na comunidade. Isso provocou desavenças com chefes do tráfico locais”, disse o delegado.

O Palio branco de Chorão foi incendiado pelos bandidos e abandonado na localidade conhecida como 29, na Maré. Há uma semana, o veículo amanheceu com a inscrição ‘X-9’.

O DJ teve desavenças com traficantes do Parque União. Ele desobedeceu a ordem dos bandidos e se apresentava na comunidade Chaparral — dominada por milícia. Além disso, o Bope fez uma operação no dia 15 na favela e fez busca na casa de Buda. Os criminosos acreditavam que Chorão passou o mapa do local aos PMs.

Namorada diz viver um pesadelo
A namorada do DJ Chorão tem vivido dias de medo desde que ele foi esquartejado por traficantes. Ela teme pela própria vida e diz que parece viver um pesadelo. “Espero que a justiça seja feita. Ele não merecia isso. Foi covardia. Minha família acha que é melhor eu ir para outro lugar do que ficar por aqui”, disse a jovem, que pediu para não ser identificada.

O casal estava junto há um ano e meio e tinha planos para se casar. “Ele era uma pessoa do bem e estava com muitos trabalhos para fazer. Segundo ela, ele tocava muito em São Paulo e ia no fim do ano tocar nos Estados Unidos, na França e na Inglaterra".

Morador do Complexo da Maré, o MC Wandinho, 31 anos, disse que o mundo do funk se entristece com um caso desse. “Ficamos preocupados por nós e pelos amigos”. Chorão foi o criador e era o organizador do baile do Parque União há três anos. O jovem era querido por moradores e frequentadores da comunidade. Até o fim da tarde de ontem, o Disque-Denúncia (2253-1177) recebeu três ligações com informações sobre a localização do corpo do DJ.

DJ do proibidão teria ganhado equipamento
Saqueada pelos traficantes, a casa do DJ Chorão virou mais um ponto de venda de drogas no Parque União. Os equipamentos de som do artista foram dados como presente pelos criminoso para um DJ que faz apologia ao crime.

No depoimento dado ontem à polícia, a mãe do artista, Jorgenete Rodrigues da Paixão,40 anos, disse que não conhecia muito a rotina do filho e que ele nunca a deixou ir à casa dele.

Quando eles precisavam se encontrar, Chorão ia até um ponto de ônibus na entrada da comunidade, para eles conversarem. Ela contou ainda que o Palio branco do DJ era dela. Ele buscou o carro na casa da mãe. Jorgenete disse que seu filho não usava drogas e não tinha inimigos.

Duas facções em 16 favelas
O Complexo da Maré é dividido por quadrilhas de duas facções de traficantes e uma de milicianos, que controlam as 16 favelas. A área onde morava o DJ, o Parque União, é dominada pelo traficante Jorge Luiz Moura Barbosa, o Alvarenga.

Com ficha criminal extensa — tráfico e roubo seguido de morte, além de 5 mandados de prisão —, Alvarenga era um dos comparsas de Marcelo da Silva Leandro, o Marcelinho Niterói, morto em 2011. Segundo a polícia, para controlar o tráfico, Alvarenga tem dois comparsas: Avião, do Parque União; e Motoboy, da Nova Holanda.


Com informações O Dia

Cobertura do Jornal da Nova

Quer ficar por dentro das principais notícias de Nova Andradina, região do Brasil e do mundo? Siga o Jornal da Nova nas redes sociais. Estamos no Twitter, no Facebook, no Instagram e no YouTube. Acompanhe!