Do malogro completo à meia vitória

Talvez por certa forma ter despontado como um dos principais articuladores do abortado

*Marcos Daniel Santi


Chegado o final das eleições, resta aos candidatos, partidos e palpiteiros de plantão dar seus “pitacos” sobre os resultados do pleito que pouco movimentou Nova Andradina neste ano. Com a disputa majoritária praticamente definida desde a homologação dos candidatos a prefeito e a vice, ficaram os pormenores dos postulantes à Câmara de Vereadores para movimentar o imaginário popular.

Talvez por certa forma ter despontado como um dos principais articuladores do abortado Bloco Democrático de Oposição (BDO), parte do PT, ao que parece, sentiu-se no direito de ratificar o nome do presidente municipal da legenda, Luiz Tadao, como absoluto candidato do grupo, sem brechas para o diálogo com as demais forças que pretendiam enfrentar o PMDB nestas eleições.

É sabido que o tão badalado BDO, oficializado em cartório com apoio de 14 legendas, deve muito de sua formação às figuras políticas de Milton Sena (PDT) e Adriano Palopoli (PSD), até então tidos como favoritos do bloco para o embate contra o ex-prefeito Roberto Hashioka (PMDB). Com a saída de ambos, restou à oposição o apoio de PT, PR, PPS e PCdoB.

Sem A, nem B, nem D, nem O, o republicano Edílson do Gás, outro pretendente ao cargo de prefeito, se viu obrigado a recuar e aceitar a condição de vice em uma chapa encabeçada pelos petistas. Tudo isso depois de uma clara demonstração de desorganização no processo de escolha dos representantes da majoritária. Ao que parece, o sonho não era vencer, mas apenas disputar as eleições.

A candidatura do professor Luiz Tadao, vice de Milton Sena em 2008, nem de longe poderia ser considerada a “menina dos olhos” da oposição. Sem respaldo dentro do próprio partido, o petista pode não ter sido o nome ideal para o embate, mas foi necessário, sobretudo para a democracia. Afinal, ganhar ou perder faz parte do jogo.

Como no futebol, não é dirigente com Estrela quem ganha partida. Também não se pode entrar em campo sem chuteiras. Nas palavras de Nelson Rodrigues, “não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos”.

Essas impressões levam a crer que a oposição entrou em uma campanha às cegas, justificando seus erros à falta de estrutura que, por menor que fosse, deveria existir para dar o mínimo suporte aos candidatos a prefeito, vice e vereadores. Ainda assim, apesar da derrota, a margem de votos surpreendeu.

Os 9.426 votos creditados a Luiz Tadao (4.855 a menos que Hashioka) deram ao PT e aliados a possibilidade de levantar motivos para a derrota, tida como certa desde o início. Contudo, diferente do que dizem, o resultado não pode ser considerado uma “vitória política” da oposição, que elegeu apenas três dos 13 vereadores da Casa.

Os mais de nove mil votos não “cacifam” o PT a nada. Por outro lado, a empreitada serviu para demonstrar o descontentamento de uma parcela da população, principalmente da área rural, sobre a continuidade de um mesmo grupo político no comando do Executivo nova-andradinense, a exemplo do que ocorre em Campo Grande.

Dos males, o menor foi fazer com que a legenda voltasse a ter dois parlamentares na Câmara de Vereadores. Talvez não seja somente isto, mas um pouco de realidade às vezes cai bem.

*Jornalista e nova-andradinense
 

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