Professora que denunciou goteiras na classe é readmitida

Acredito na liberdade de expressão e em formar alunos com uma visão crítica, que não se conformem com as coisas do jeito que elas estão”

José Antônio de Andrade


Tentaram calar uma voz. Buscaram oprimir um coração que clamava de amor pelo próprio ofício. Um ato cidadão foi repudiado. Fecharam os olhos para uma gritante realidade.

Nem vale a pena gastar palavras para definir a grave situação da educação brasileira. A má administração dos recursos, somada às políticas imediatistas e ineficientes dos últimos anos, deu origem a um sistema falho, nefasto e de graves consequências. Até aqui nenhuma novidade!

Mas, esperança existe? O profissionalismo e a pressão popular podem surtir efeito? Até onde alguém pode está disposto a ‘vestir essa camisa’ e o quanto está disposto a perder?

O caso de uma professora da rede municipal de ensino de Imperatriz (MA) teve direito a um final, aparentemente feliz: Após ter divulgado na internet imagens da sala de aula, na qual os alunos usavam guarda-chuva enquanto faziam prova, para enfrentar as goteiras, Uiliene Santa Rosa recebeu a notícia de que não fazia mais parte do quadro docente, por “não se enquadrar na postura da escola”; porém a prefeitura da cidade anunciou ontem que revogaria a decisão, por considerar que houve precipitação por parte da Secretaria de Educação e readmitiu a professora de 24 anos.
Logicamente, com a repercussão tomada pelo caso, seria mais fácil (e digno) revogar a decisão, identificar a raiz mais profunda do problema e evitar um escândalo maior.

A professora defende-se afirmando que postou as imagens por não concordar com a “situação degradante” vivida por uma turma do 7º ano. Outras salas também teriam goteiras, rachaduras na parede e instalações precárias. A escola Guilherme Dourado funciona em um prédio alugado pela administração municipal. Mas, de acordo com a prefeitura, o problema das goteiras havia sido solucionado antes mesmo da demissão de Uiliene (Então tá, né?)

Mesmo retomando seu posto na escola, a professora diz que vai cobrar na Justiça indenização por danos morais. “Eu me senti muito mal. A revogação [da demissão] é a prova de que eles haviam abusado do poder”. Vale lembrar que a professora leciona desde o início do ano e tem um contrato temporário, até o final de 2012.

Ainda que possamos defender as hierarquias e os procedimentos burocráticos corretos, é inevitável não solidarizar-se com a indignação e apoiar atitude da professora. A publicação das fotos gerou polêmica não só por serem chocantes ou por causarem atritos na instituição, mas, principalmente, por mexer com poder, mexer com o ego de quem tão pouco faz para mudar realidades.

Vivemos em uma democracia, sim, mas somos governados por um comodismo cruel e manipulador que, aos poucos, nos dá a sensação de pseudo-cidadania e pseudoativismo, quando apenas xingamos ou, simplesmente, ignoramos a política e a fiscalização de nossos direitos.

“Acredito na liberdade de expressão e em formar alunos com uma visão crítica, que não se conformem com as coisas do jeito que elas estão”. Na certa, as palavras de Uiliene Araújo Santa Rosa marcam e grudam na nossa consciência, para levar a questões que nem sempre há coragem de debater às claras... Até quando viveremos de migalhas? A professora já nos deu essa importante lição.

Colaborou Antonio Anderson
 

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