Ignorada por Dilma, Granja do Torto custa mais de R$560 mil por ano só para manter jardins

Da Redação


A Granja do Torto é uma das residências oficiais da Presidência da República. É considerada uma "casa de campo" para os presidentes e tem 37 hectares, o equivalente a 370 mil metros quadrados. Uma casa grande no Lago Sul, área nobre de Brasília, tem cerca de 800 metros quadrados a 1.000 metros quadrados. Com 37 hectares, a Granja do Torto tem o tamanho equivalente a 370 casas grandes na região.

O local tem de tudo. Lago e córrego artificiais, piscina, campo de futebol, quadra poliesportiva, churrasqueira, heliponto e uma área de mata nativa. Da área total da Granja do Torto, aproximadamente 20% é de mata nativa, o que não exige manutenção. O restante é casa e área verde, o que exige manutenção mensal e custa caro.

Dilma não tem a obrigação de ir ao local e não é muito fã da "casa de campo". Há quase dois anos não visita a residência oficial da Granja do Torto. A última vez que a presidente esteve no local foi em fevereiro de 2011, depois da posse. No entanto, a manutenção da casa é feita mensalmente.

Só para manter o jardim, 13 jardineiros da Novacap – Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil, empresa do governo do Distrito Federal, são destacados. A estimativa é que a manutenção destes jardins custe, por mês, R$ 46.800. A conta é feita a partir do número de funcionários, segundo especialistas de paisagismo e jardinagem procurados pela reportagem.

Para concorrer a licitações, por exemplo, as empresas fazem uma conta simples: O número de jardineiros que trabalharão no local, multiplicado por três e depois multiplicado por R$ 1.200, o salário médio de um jardineiro no Distrito Federal. Os jardins da Granja do Torto, pouco vistos pela presidente, custam anualmente mais de R$ 561 mil aos cofres públicos.

Na Câmara dos Deputados, para a manutenção de jardins e empréstimo de equipamentos, é feita uma conta semelhante. O contrato de jardinagem custa R$ 1,3 milhão e tem validade de um ano. São gastos, por mês, mais de R$ 100 mil para contratar 20 jardineiros e todos os insumos, como mudas, por exemplo. O contrato da Câmara inclui manutenção, conservação e implantação, com fornecimento de material, equipamentos e ferramentas, dos jardins internos e externos, áreas não urbanizadas, vasos e viveiro da casa e da área do Bosque dos Constituintes.

Dilma morou na Granja por 86 dias. Ela se mudou para a "casa de campo" depois de eleita, em novembro de 2010, e ficou lá até fevereiro de 2011, o período de transição e começo de governo. A assessoria de imprensa da Presidência da República diz que não há custos para a manutenção da Granja. Segundo a assessoria, a manutenção dos Palácios da Alvorada, do Planalto e Anexos, do Jaburu e da Granja do Torto é realizada por meio de contratos terceirizados de prestação de serviços contínuos.

"Os contratos são celebrados para atender todas as instalações da Presidência da República,de acordo com as necessidades delas, e têm o objetivo de preservar esses bens públicos em condições de utilização", diz a nota. Segundo a assessoria, não há o registro individualizado de custos por prédio. "Os serviços são licitados, auditados, e incluem as áreas de limpeza, lavanderia, serviços elétricos, pintura, jardinagem e hidráulica".

Ignorada por Dilma, a Granja foi muito utilizada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante seus dois mandatos. Lula ia sempre para a casa da Granja do Torto e fazia, todos os anos, o "Arraiá do Torto". O evento era a tradicional Festa Junina organizada pela sua mulher, dona Marisa Letícia.

O arraiá tinha todos os aparatos da mais clássica Festa Junina: procissão, trajes e comidas típicos, decoração e procissão noturna em evocação a Santo Antônio, São João e São Pedro. Na festa de 2009, a procissão terminou na fogueira.

Em 2010, despedida do arraiá, não faltou pompa. O arrasta-pé presidencial teve quadrilha e casamento caipira. No convite — pessoal, intransferível e enviado pessoalmente pela primeira dama — pedia-se traje a caráter e um prato de doces ou salgados.

Em 2003, no primeiro ano de mandato, logo em fevereiro, ele fez a primeira reunião ministerial na Granja do Torto, o que se tornaria outra tradição. Todos os anos, mais de uma vez, os ministros se reuniram no local e, todas as vezes, posaram ao lado de Lula para a foto oficial.

Lula cobrava que todos os ministros fossem para a reunião. Conversava com todos em uma das salas da casa e depois, na maioria das vezes, servia almoço na Granja do Torto.

Como ministra de Lula, Dilma participou da maioria das reuniões. Primeiro como ministra de Minas e Energia e, depois, como ministra-chefe da Casa Civil.

O ex-vice-presidente José de Alencar também participava das reuniões de Lula com os ministros. Dona Marisa Letícia também fazia questão de ir ao local, visitar, quando Lula estava trabalhando na residência oficial da Granja do Torto.

Não eram só os ministros que eram recebidos para reuniões na casa de campo da Presidência da República, os governadores dos 27 Estados brasileiros também iam à Granja do Torto. E Lula aproveitava o mesmo local, próximo à piscina, para a foto oficial.

Mas a casa de campo não era só local de reunir os colegas de trabalho. Lula sempre fez questão de fazer churrascos e jogar bola na casa, que tem um campo de futebol próprio.

JB Online
 

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