Sem segurança escolar, alunos e professores passam apurados em Nova Andradina

Da Redação


Desde o início do mês de abril deste ano, alunos e alguns professores mantiveram contato com a redação do Jornal da Nova, para expor alguns fatos que aconteceram dentro e fora das escolas em Nova Andradina.

Na última quinta-feira (20), por volta das 21h30, um aluno da escola municipal João de Lima Paes, passou apurado quando cerca de 16 jovens, estavam do lado de fora da escola o esperando para espanca-lo.

Diante da situação, a direção da escola acionou a Polícia Militar, que ao chegar ao local, os jovens já teriam se evadido do local.

O aluno que se sentiu acuado, teve uma discussão com outro aluno, onde esse aluno [adversário] acionou seus colegas para pegá-lo, em seguida esses jovens apareceram na porta da escola, forçando a entrada e trazendo medo para o restante dos alunos. “A solução foi chamar a PM, eles vieram, mas os jovens já haviam saído, se houvesse a patrulha escolar, seria diferente a maneira de abordar os alunos que tiveram a discussão e a punição também seria diferente”, comenta a direção sobre o caso.

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No início de abril, apurado junto a alguns alunos da escola estadual Luis Soares de Andrade – Centro Educacional, depois que a redação recebeu diversas reclamações, os alunos contaram que chegaram presenciar alunos fumando maconha no pátio da escola, como se fossem cigarros normais, pois segundo os alunos, existe no pátio um local livre para quem fuma e deste local diariamente alunos fumam maconha, “é um local onde todos veem, ninguém fala nada, na hora do intervalo, alunos pulam o muro para fora da escola, vão a Praça, usam drogas e depois retornam, isso virou rotina na escola, hoje, qualquer aluno já sai da escola fumando maconha, até aluno com arma de fogo já foi na escola e mostrou para os outros”, dizem os alunos que não quiseram se identificar com medo de represálias tanto por parte da direção quanto pelos alunos.

Outro fator contribuinte para que o crime acontece com frequência nesta escola, é que existe uma Praça ao lado, onde diariamente, cedo, a tarde e anoite, jovens fumam maconha livremente sem se importar com a presença das pessoas que passam por ali.

Segundo uma denunciante, ao redor da Praça existe uma pessoa que fornece o entorpecente para os menores saírem vendendo e em troca os menores recebem o próprio produto como pagamento.

Segundo dados apurados junto a menores que já tem passagens pela polícia por portar drogas ou que estavam em bocas de fumo na hora em que a polícia estoura, 95% dos adolescentes não estudam e nem tem outra atividade com renumeração a não ser o crime.

A família desestruturada é a principal arma para que o crime acolha esses adolescentes, os pais trabalham o dia inteiro achando que o filho esta na escola ou em casa, de repente a mãe ou o pai recebe uma ligação da Delegacia, onde relata que seu filho esta detido, “isso é um choque para mim que sou mãe, hoje em dia faço de tudo para proteger meus filhos, mas não consigo vigiar ele a todo momento porque tenho que trabalhar para colocar as coisas dentro de casa”, comentário de uma mãe que foi buscar seu filho um dia desses na Delegacia, para ela ele estaria dentro de casa, mas estava traficando.

“Quero sair dessa vida, mas veja bem, meus pais vivem brigando, saio de casa todo dia para buscar uma aventura e caio sempre na maconha, uso todo dia, várias vezes, quando me falta, vou roubar ou furtar para comprar e aqui na cidade, você encontra em cada esquina é só pedir que qualquer um te indica onde têm, isso é uma praga que nunca vai acabar, eu fumo desde os 12 anos, hoje, eu tenho 16 anos, já experimentei de tudo, ninguém me dá emprego então fico nessa vida, nunca cai na UNEI – Unidade Educacional de Internação, mas meus colegas já foram e disse que é ruim, mas se aprende a viver, a escola não me dá o que eu quero, então sou acolhido pelo crime”, disse um adolescente de 16 anos que conta com naturalidade que já passou pela polícia por diversas vezes e não tem medo se cair na Unei algum dia.

Segundo levantamento feito pela reportagem, somente duas escolas estão com problemas sérios na questão da criminalidade, a escola municipal João de Lima Paes, onde a direção disse que é mais no período noturno, horário em que a patrulha escolar não atua e a escola estadual Luis Soares de Andrade, tanto de manhã, a tarde e principalmente a noite, alunos disseram que na porta da escola concentra muitas pessoas ligadas ao tráfico de drogas e disseram que muitos adolescentes vão dirigindo veículos ingerindo bebidas alcoólicas.

Em Nova Andradina, existe somente um policial da patrulha escolar que trabalha diariamente 12h, sendo que a noite, existem as Rádio Patrulhas, que cuidam da cidade, ou seja, duas viaturas com quatro policiais para cuidar de aproximadamente 50 mil habitantes, a falta de efetivo dificulta o trabalho da polícia em combater o crime nas escolas.

Segundo dados do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 27,1% dos estudantes do 9º ano, com 13 e 15 anos, informaram ter dirigido um veículo motorizado nos 30 dias anteriores, e 19,3% disseram ter andado de motocicleta sem usar capacete. Essas são algumas das informações captadas pela Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2012, que entrevistou mais de cem mil adolescentes em 2.842 escolas de todo o país.

O IBGE captou diversas informações sobre a vida dos estudantes: 28,7% deles informaram que já tiveram uma relação sexual, e 75,3% disseram ter usado preservativo da última vez. Esses percentuais estão em patamares similares aos encontrados por pesquisas semelhantes à PeNSE, realizadas pela OMS em outros países.

A violência também está presente no cotidiano de muitos escolares: 6,4% deles disseram ter se envolvido em brigas com armas de fogo, e 10,6% informaram terem sido fisicamente agredidos por um adulto de sua família. Neste caso, as agressões são um pouco mais frequentes contra as meninas (11,5%) do que contra os meninos (9,6%). Além disso, 7,2% dos escolares afirmaram que sempre ou quase sempre se sentiram humilhados por provocações dentro da escola, e 20,8% praticaram algum tipo de bullying contra os colegas nos 30 dias anteriores a pesquisa.

Drogas ilícitas como maconha, cocaína, crack, cola, loló, lança perfume ou ecstasy já foram usadas por 7,3% dos escolares, e 21,8% dos adolescentes entrevistados já sofreram algum episódio de embriaguez na vida. O consumo de cigarros nos 30 dias anteriores foi relatado por 5,1% dos escolares e 26,1% consumiram álcool no mesmo período.

Envolvimento em briga com armas
O envolvimento em brigas com arma de fogo foi declarado por 6,4% dos escolares, sendo também mais frequente em alunos do sexo masculino (8,8%), do que do feminino (4,3%), sendo 6,7% para estudantes de escola pública e 4,9% de escolas privadas. A região Centro-Oeste registrou a maior proporção (8,0%).

No que se refere às brigas com arma branca, 7,3% dos escolares declararam envolvimento, nos 30 dias que antecederam a pesquisa, com maiores frequências entre alunos do sexo masculino (10,1%) do que do sexo feminino (4,8%).

Estudo realizado na Europa e nos EUA apontou que 14% dos alunos com 11 anos de idade estiveram envolvidos em uma briga com luta física por pelo menos três vezes nos 12 meses anteriores à pesquisa.

Uso de drogas ilícitas alguma vez na vida
A PeNSE 2012 investigou o uso de drogas ilícitas tais como: maconha, cocaína, crack, cola, loló, lança perfume, ecstasy, os dados evidenciam que 7,3% dos escolares já usaram drogas ilícitas. Considerando as grandes regiões do país, o maior foi observado no Centro-Oeste, 9,3%. Analisando os resultados por capitais, o maior percentual foi encontrado na capital Florianópolis (17,5%), Curitiba (14,4%) e os menores em Palmas e Macapá (5,7% em ambas).

Considerando os escolares que usaram drogas antes dos treze anos de idade o percentual para o conjunto do País foi de 2,6%, variando de 1,2%, no Nordeste, a 4,4%, no Sul.

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