Para especialista, papa não está preocupado com os dogmas da Igreja Católica

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Para especialista, Papa “não foge da raia” ao falar sobre a existência de um "lobby gay" no Vaticano - Foto: Tasso Marcelo/AFP/Arquivo  O tema homossexualidade é tido há tempos como um dos grandes tabus da Igreja Católica. Com o novo papa, Francisco, ainda há a dúvida sobre quais são as diretrizes do Vaticano em relação ao assunto. Entretanto, o pontífice, nesta segunda-feira, declarou que não pretende “julgar” os homossexuais – além de condenar a existência de um chamado “lobby gay” no Vaticano. Para Ivan Esperança Rocha, especialista em história das religiões da Unesp – Universidade Estadual de São Paulo em Assis, Francisco não está preocupado com questões dogmáticas neste seu início de papado, mas sim em engajar mais fiéis.

“Acredito que a defesa do papa Francisco é a de que todos sejam respeitados por seus valores. Ao exigir o respeito ao ser humano, independente de sua opção, o pontífice certamente vai apoiar uma determinada classe ou até mesmo se pronunciar sobre ela, por mais que isso seja complicado como chefe da Igreja”, diz Rocha. “Na posição que ocupa, ele [o papa Francisco] tem que somar, e não dividir”, completa.

O especialista da Unesp também vê a Igreja no mesmo caminho. “Como uma sociedade, a Igreja é composta por pessoas que vivem as características de uma sociedade maior. Não dá pra imaginar uma igreja imune isso”, avalia o especialista. “Ela demorou a se posicionar sobre a homossexualidade, como a sociedade também demorou. A sociedade também foi responsável por essa rejeição, e a Igreja nada mais que compartilhou essa posição”.

Francisco “não foge da raia”

Para Rocha, o papa “não foge da raia” ao falar, por exemplo, sobre a existência de um “lobby gay” dentro do Vaticano. “Porém, se ele opta por não demonizar questões como essa, é porque ele acredita que não há motivos para tanto”, diz. “A única coisa que ele [papa] quer demonizar é o que traz a pobreza e a fome, por exemplo, às pessoas”.

E o que faz o especialista identificar esse perfil no papa Francisco, além dos seus discursos, são os seus atos como pontífice.” O papa quer conversar com as pessoas, e isso certamente vai trazer novidades ao longo do tempo. O símbolo de tudo isso é quando ele pega o papamóvel e o deixa aberto, retirando os vidros que o cercava [como ocorreu durante sua participação na JMJ – Jornada Mundial da Juventude]”, analisa Rocha.

“Vale ressaltar também que o papa Francisco não faz essa opção agora [de ter mais contato com o povo]. Acho que, sabiamente, a Igreja – ao avaliar os papáveis – foi em busca de alguém que tinha esse perfil, e não de quem tivesse de criar um novo perfil”, completa o especialista.
 

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