A barbárie continua: outro preso é morto em Pedrinhas

Da Redação


Um dia depois de o governo do Maranhão iniciar a transferência de detentos do Complexo Penitenciário de Pedrinhas (MA) para presídios federais, mais um preso foi encontrado morto nesta terça-feira na cadeia mais violenta do Brasil. Foi a terceira morte registrada em janeiro, a 63ª desde o início do ano passado.

Segundo a Secretaria de Justiça e Administração Penitenciária (Sejap), o detento Jô de Souza Nojosa foi encontrado enforcado com uma "teresa" (corda improvisada feita pelos presidiários). Em nota, o governo maranhense afirmou que investiga as circunstâncias da morte – a hipótese mais provável é que tenha sido retaliação à remoção de nove detentos nesta segunda-feira para Campos Grande. "Somente após a perícia será possível apontar as circunstâncias da morte. Mais informações serão repassadas após o fim do trabalho da equipe do Instituto de Criminalística (Icrim)", disse o governo, em nota.

A crise no sistema penitenciário maranhense chocou o país no final do ano passado pelas cenas de selvageria – decapitações, esquartejamentos e, agora, enforcamento – provocadas pelo confronto de facções inimigas dentro do presídio. Para tentar conter a guerra de criminosos, o governo estadual enviou homens da Polícia Militar e recebeu o apoio da Força Nacional para reforçar a segurança e vistoriar as celas. Centenas de armas improvisadas, uma pistola e dezenas de celulares foram encontrados.

A presença da PM no presídio irritou líderes das facções criminosas, que deram ordem para bandidos atacarem ônibus e delegacias nas ruas de São Luís. Uma criança de 6 anos morreu queimada após um ônibus ser incendiado. Veja o vídeo. O Ministério Público Estadual denunciou sete acusados pela morte da menina.

A governadora Roseana Sarney (PMDB) também recebeu apoio do governo Dilma Rousseff, preocupado com o desgaste do clã Sarney no Estado, aliado estratégico em ano eleitoral. No entanto, nem mesmo o reforço policial e a transferência de detentos parecem ter apaziguado os ânimos em Pedrinhas: na semana passada, os policiais tiveram de agir para conter dois princípios de rebelião no complexo.

Com Estadão Conteúdo

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