Cansados com prejuízos por alagamentos, famílias do Argemiro Ortega buscarão ressarcimento de danos na Justiça

José Antônio de Andrade


Moradores do Conjunto Habitacional Argemiro Ortega, região periférica de Nova Andradina, disseram a reportagem do Jornal da Nova, que irão registrar boletim de ocorrência na polícia para obrigar o poder público a resolver os problemas dos alagamentos frequentes no bairro, e a indenizar as vítimas de alagamento.

Segundo duas moradoras da avenida Avelino Fernandes Sena, Adélia Aparecida da Silva de 39 anos, e Celina Alves Ferreira de 41 anos, ambas estão cansadas de trabalhar para arcarem com os prejuízos, ocasionados pelas frequentes inundações toda vez que chove forte na cidade.

A decisão foi tomada, após as duas moradoras terem por várias vezes, suas casas invadidas por água, lama, lixo e muitos insetos – alguns transmissores de doenças –, após uma tromba d’agua que caiu entre as 14h50 e 16h, da tarde deste último sábado (25), com volume pluviométrico estimado em 150mm, conforme verificado no mapa meteorológico do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).

Adélia nos contou que as águas invadiram sua casa repentinamente, sem que houvesse tempo para suspender todos os móveis, perdendo alguns deles. “Não da mais para viver a vida inteira tendo de comprar móveis para repor os que eu perco em decorrência das inundações. Já comprei cama, guarda-roupa, rack, cômoda, dentre outros. Parece que não será diferente dessa vez. Provavelmente terei de comprar novamente esses móveis, pois como vê, foram danificados pelas aguas e vão mofar”, conta Adélia desolada.

Conforme ela, após uma chuva forte ocorrida no dia 21 de novembro passado, uma equipe da prefeitura municipal de Nova Andradina esteve em sua residência e providenciou um encanamento do lado externo, para dar vazão a água que entra em seu quintal. No entanto, sequer da conta de captar o volume da chuva que entra pelas calhas, conta ela.

Situação não diferente é vivida por Celina que também teve sua casa invadida pela enxurrada. Ela que também teve uma canaleta construída em seu quintal, contou que, mesmo quando chove pouco, a caixa receptora não suporta o volume d’agua, fazendo com que a enxurrada alague seu quintal. Além disso, as águas entram em sua residência, sobre uma mureta construída na porta da sala, justamente para impedir que a parte interna do imóvel seja tomada pela enxurrada.
Bocas de lobo entupidas

Conforme apurou a reportagem, existem três bocas de lobo nas proximidades das duas residências, num raio de 25 metros, mas duas delas encobertas por lixo. Uma inclusive, totalmente entupida, o que pode ter contribuído para os alagamentos.

Moradores que não quiseram se identificar, reclamaram da falta de serviço de manutenção das bocas de lobo por parte da prefeitura, mas culparam os próprios moradores das regiões altas da cidade por jogarem lixo nas ruas.

O serviço de limpeza das bocas de lobo é realizado manual e mecanicamente, tem o objetivo de garantir o escoamento da água e impedir que materiais sólidos, retidos durante as chuvas, obstruam a drenagem das águas.

Diversos moradores de diferentes bairros de Nova Andradina passaram pela mesma situação, se não parecidas. O grande volume de água que caiu no município na tarde de ontem, também causou muitos danos a vias públicas e nas áreas rurais.

Apenas na próxima semana, será possível ter informações precisas sobre os danos, bem como a forma de recuperação, pelo setor de obras e serviços públicos da prefeitura.

Ganho de causa
Segundo levantamento feito pela reportagem, inundações constantes nos mesmos locais dão direito a indenizações, por causa dos prejuízos causados a casas ou até mesmo veículos. Em ações individuais, já a casos de jurisprudências na Justiça do Estado de São Paulo, onde já garantiu esse tipo de ressarcimento para moradores de áreas que sempre passam por esses problemas durante as chuvas.

Ministério Público viu problema resolvido no ano passado
Em relação aos alagamentos ocorridos no bairro Argemiro Ortega, a 1ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social e das Fundações da comarca de Nova Andradina, havia arquivado o Inquérito Civil nº 20/2011, de autoria do próprio Ministério Público Estadual, por entender que na localidade foram tomadas as medidas necessárias, quais sejam, a implantação de infraestrutura com drenagem de águas pluviais e pavimentação asfáltica. O documento com o conteúdo do arquivamento da ação foi publicado no Diário Oficial do MP/MS, no dia 19 de abril passado. Mas apenas algumas das medidas surtiram efeito na totalidade.

Mais chuva para este domingo
Uma frente fria avançou forte neste sábado sobre o Sul do Brasil e o Paraguai e mudou o tempo também em Mato Grosso do Sul. O impacto do calor intenso e com esta frente fria gerou nuvens bastante carregadas, que provocaram chuva forte e volumosa em várias regiões do estado, principalmente na região do Vale do Ivinhema. A chuva e a entrada de ar polar causaram uma acentuada queda da temperatura.

Neste domingo, a frente fria se afasta, mas Mato Grosso do Sul ainda terá muitas nuvens e pancadas de chuva, que podem ser de moderada a forte, com volume pluviométrico na casa de 20mm. A temperatura ainda não sobe muito, ficando entre 19 e 28 graus. Mas a partir de segunda-feira, a chuva volta a ser menos frequente. O sol fica forte de novo e o calor aumenta. (Com informações do clima tempo e INMET).

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