Policiais de Anaurilândia deixam a prisão militar

Da Redação


Nesta quinta-feira (13), os três policiais militares de Anaurilândia, que são lotados no 8º Batalhão de Polícia Militar de Nova Andradina, ganharam liberdade do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, depois que o advogado dos militares, impetrou um habeas corpus.

Os militares não irão trabalhar na unidade do 3º Pelotão PM/2ª Cia de Anaurilândia, até que o processo seja julgado, por enquanto os policiais ficarão em Campo Grande.

Em contato com o Jornal da Nova, o Dr. Ademilson da Silva Oliveira, do escritório Gibim e Lacerda Advogados de Campo Grande, disse que o Habeas Corpus foi baseado em provas de depoimentos do irmão de Bruno na Delegacia de Polícia.

Segundo o advogado, o irmão de Bruno, um adolescente de 17 anos, teria dito em depoimento que o irmão sofria de problemas respiratórios.

O Dr. Ademilson também comprovou no Habeas Corpus, que na verdade quem estava sendo ameaçado, eram os policiais militares, para tanto, há provas materiais e uma delas o Jornal da Nova publicou, que são ameaças do irmão de Bruno contra os militares.

Ao finalizar, o advogado disse que a liminar pode ser definitiva em menos de 30 dias.

>>Leia também
PMs de Anaurilândia são presos com mandados de prisão preventiva

Os policiais foram detidos na última segunda-feira (10), por policiais militares do 8ºBPM e foram conduzidos ao presídio militar de Campo Grande, sob acusações do MPE (Ministério Público Estadual), de ter torturado o adolescente Bruno Gabriel Olavo da Silva de 16 anos, que veio a óbito no último dia (7) de janeiro em Anaurilândia.

De acordo com as investigações do MPE, durante diligências a respeito do furto de duas motocicletas em Anaurilândia, os policiais abordaram o adolescente. Este, ao notar a chegada dos policiais em sua casa, evadiu-se, sendo perseguido por eles, que efetuaram disparos de arma de fogo, para o chão a fim de conter o jovem, que continuou fugindo por cerca de 3 km, pulando muros de residências e atravessando cercas de arame.

Ainda segundo o MPE, um dos policiais estava à paisana e alcançaram o adolescente, passaram a agredi-lo, com o objetivo de obter dele a sua confissão ou informações sobre o crime investigado. O MPE descreve ainda que a violência física foi tamanha que a vítima não conseguiu caminhar até a viatura, para onde foi carregado pelos policiais militares e encaminhado para a Delegacia de Polícia. Na Delegacia, os policiais militares deixaram o adolescente em uma cela, e foram ao encalço de outros suspeitos dos furtos. A vítima, porém, teve que ser socorrida pelo investigador de polícia que estava de plantão. Os policiais militares retornaram à unidade policial, de onde levaram o adolescente ao hospital Sagrado Coração de Jesus. Horas depois, ele não resistiu aos ferimentos e faleceu no mesmo dia.

A certidão de óbito existente no inquérito policial atesta como causa da morte do adolescente “Hemorragia Interna Aguda – Choque hipovolêmico – Trauma Abdominal Fechado Ação Contundente”.

Em razão da gravidade dos fatos, o MPE, através do Promotor de Justiça, representou pela prisão preventiva dos militares, a qual foi decretada pelo Juiz de direito da vara única da comarca de Anaurilândia.

Outro lado
O Jornal da Nova apurou que o menor Bruno Gabriel Olavo da Silva, já cometia atos infracionais desde os 12 anos de idade, há registros policiais desde 2009, quando já havia um furto qualificado, vias de fato em 2011, dano qualificado, furto qualificado e portar drogas para consumo em 2012, porte ilegal de arma e ameaça em 2013, portar drogas para consumo pessoal e furto de motocicleta em 2014.

Após a morte do adolescente, irmão [da vítima] e amigos do jovem, são suspeitos de ameaçar os policiais militares de Anaurilândia através das redes sociais. Também são suspeitos de atos de vandalismos contra o patrimônio público e privado com pichações com siglas PCA (Primeiro Comando de Anaurilândia), referindo-se a uma facção criminosa.

Até na Delegacia de Polícia, Pelotão da PM e residências de policiais, foram alvos dos vândalos com as pichações, além de serem suspeitos de fazerem apologia ao crime com fotos de maconha e frases incitadoras da violência.

O Jornal da Nova também apurou que o laudo necroscópico, não fala que há sinais de violência ou tortura, existe uma pequena perfuração na parede do abdômen, que pode ter sido causada na hora da fuga, onde ele teria pulado vários muros e atravessado cercas de arame.

No último dia (2), o irmão de Bruno, um adolescente de 17 anos, teria ido cobrar uma dívida de entorpecentes contra um jovem que teria ficado devendo valores ao seu irmão, durante a cobrança, houve um desentendimento, onde acabou sendo golpeado no pescoço com uma faca, ele foi para o Hospital Sagrado Coração de Jesus onde passou pelo médico plantonista, depois de medicado, teria levado 8 pontos. A polícia só descobriu os fatos no dia seguinte, o jovem não permaneceu no hospital e nem procurou a polícia.

Cobertura do Jornal da Nova

Quer ficar por dentro das principais notícias de Nova Andradina, região do Brasil e do mundo? Siga o Jornal da Nova nas redes sociais. Estamos no Twitter, no Facebook, no Instagram e no YouTube. Acompanhe!