Cheia do rio Madeira causa prejuízos de R$ 400 mi só em Porto Velho

Da Redação


A maior cheia da história do rio Madeira já desabrigou mais de 40 mil pessoas, matou inúmeras cabeças de gado, e só em Porto Velho, capital de Rondônia, produziu um prejuízo de R$ 400 milhões. Mesmo em ano eleitoral, nem Dilma, nem os candidatos a presidente vieram conhecer o problema e a Amazônia, que tem grande peso para políticos e intelectuais praticamente passa desapercebida.

No momento em que Fernando Gabeira visitou Rondônia, as cheias ainda não haviam chegado ao ponto máximo. O Rio Madeira subia a média de cinco centímetros por dia e caminhava para o marco de 20 metros acima do seu nível normal. Os lugares mais atingidos na área rural foram São Carlos e Nazaré. No primeiro, além de toda a população retirada, ainda houve muita perda do gado que morreu submerso.

Mesmo no perímetro urbano de Porto Velho, a situação é grave. O bairro do Triângulo, no centro de Porto Velho, foi o mais atingido. No local, a entrada transformou-se numa espécie da porto improvisado e barracas vendendo comida e bebida foram erguidas para atender os moradores.

Os impactos econômicos das cheias são imensos porque a BR-364 está intransitável, invadida pelo Madeira. A estrada liga Porto Velho a Rio Branco e o estado do Acre corre o risco de isolamento. Em Jaci Paraná, a 70 quilômetros de Porto Velho, ou se prossegue de barco ou é necessário levar o carro num caminhão, o que custa R$50.

O que provocou a cheia histórica do madeira, qual o papel das usinas Santo Antônio e Jirau nesse processo? As usinas estão perto de Porto Velho. Gabeira presenciou chuva em dois rios que ajudam a formar o Madeira. Um é o Beni, que vem da Bolívia.

Outro o Madre de Dios que vem do Peru. Além disso, o degelo da Cordilheira dos Andes foi muito intenso nessa temporada. O único ponto negativo das usinas foi terem sido construídas, nos estudos técnicos, a bacia do Madeira, sobretudo Beni e o Madre de Dios.

Os danos causados pela cheia do Madeira não foram apenas materiais. Rondônia praticamente perdeu seu maior tesouro cultural, que é um museu dedicado a Estrada de Ferro Madeira Mamoré. Ela foi construída entre 1907 e 1912 para apresentar um escoamento para a borracha produzida na Bolívia e no Brasil, mas é um dos grandes triunfos da engenharia nacional e inspirou romance e série.

As cheias do Madeira ainda não estão concluídas. Quando passar tudo, será necessário reconstruir a memória da Estrada Madeira Mamoré e estudar melhor a bacia desse rio que está entre 20 maiores do mundo e é formado, além do Beni e Madre de Diós, pelo Mamoré.

O Madeira é um rio abriga um espécie de boto, cor de rosa, que se transfigura, segundo a lenda, num homem sedutor. Até parece ter sumido com as cheias.


Com Globo News

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