Quadrilha é condenada a 10 anos de prisão por fraude em aposentadoria por invalidez

Da Redação


Cinco réus denunciados pelo MPF/MS (Ministério Público Federal) de Mato Grosso do Sul por estelionato e formação de quadrilha foram condenados pela Justiça a dez anos, um mês e dez dias de prisão, inicialmente em regime fechado. Eles também terão que pagar, cada um, 63 dias/multa, sendo que cada dia/multa equivale a 1/30 do salário mínimo da época. Quatro servidores do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), em Dourados, e uma advogada, todos da mesma família, foram acusados de integrar quadrilha para aprovar pedidos de aposentadoria por invalidez, entre 2001 e 2003. De acordo com o MPF, eles chegavam a cobrar mais de mil reais dos solicitantes.

A advogada do grupo atendia clientes que recebiam auxílio-doença e queriam se aposentar por invalidez. Ao invés de seguir o trâmite normal e apresentar o processo de aposentadoria à agência do INSS, a mulher encaminhava o pedido diretamente ao setor de GBENIN (Gerenciamento de Benefícios por Incapacidade), cujo coordenador era seu pai. O GBENIN não protocolava nenhum pedido de aposentadora, apenas analisava a solicitação e encaminhava aos médicos peritos, irmãos do chefe do setor e tios da advogada, que aprovavam a solicitação de aposentadoria, algumas vezes até sem realizar a perícia com o solicitante. A consulta, em casos como este, é procedimento obrigatório.

Outra tia da advogada, chefe do Serviço de Benefícios da Gerência Executiva do INSS, era responsável pela supervisão do GBENIN e tinha conhecimento desses procedimentos irregulares. “Mesmo ciente de que sua sobrinha protocolava os pedidos ao pai, ela fazia vista grossa e nada fazia para coibir a ação”, diz o MPF na denúncia. Em alguns casos, conforme o MPF, os médicos peritos indicaram a advogada aos beneficiários do auxílio-doença, para que ela entrasse com o pedido de aposentadoria por invalidez. A advogada chegou a cobrar dois salários mínimos para que o cliente tivesse a aposentadoria aprovada. Um dos clientes, em depoimento, disse que apenas uma vez esteve no escritório da advogada, e que não fez pedido de aposentadoria. Dois anos depois, a advogada entrou em contato, comunicando a aposentadoria por invalidez e solicitando que ele fizesse o pagamento dos honorários.


Correio do Estado, com informações do MPF/MS

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