Dia da abolição da escravatura no Brasil ''Lei Áurea'' é pouco lembrada

José Antônio de Andrade


Dona Isabel, princesa imperial do Brasil e regente do Império quando da assinatura da Lei Áurea, pela qual ficou conhecida como "A Redentora" - Foto: Reprodução/Wikipédia

Na última terça-feira (13) de maio, comemorou-se o aniversário da abolição da escravatura no Brasil. Há exatos 126 anos, em 1988, a princesa Isabel assinava a Lei Áurea. Porém, a data foi pouco ou sequer foi lembrada na maioria dos municípios do Estado, incluindo Nova Andradina. Tanto nas escolas públicas municipais e estaduais, bem como nas particulares e Universidades não foram registrados nenhum evento comemorativo a data.

Em contado com escolas públicas e particulares e com universidades do município de Nova Andradina, na tarde desta quarta-feira (14) nossa reportagem buscou por informações sobre realização de eventos comemorativos, nas mesmas. Os coordenadores de escolas informaram ao Jornal da Nova, que se houve alguma menção da data de criação da Lei Áurea, foi trabalho em sala com professores de história, mas não podendo confirmar a informação.

Uma comemoração de grande proporção seria de suma importância no Estado e municípios, já que se tem visto algumas expressões do racismo e da desigualdade, no País, principalmente nos esportes, em maior escala no futebol.

A imagem que repercutiu o mundo, foi quando o jogador de futebol Dani Alves ia cobrar um escanteio próximo ao alambrado do estádio El Madrigal, na vitória por 3 a 2 sobre o Villarreal, quando um torcedor adversário atirou uma banana. O brasileiro não se fez de rogado: foi lá e comeu a banana, como quem pouco se importa com aquilo. Depois da partida, ainda comentou: “Incidente com a banana? Estou na Espanha há 11 anos e isso acontece desde o início. Você tem que rir desses retardados. Eu não sei quem jogou, mas tenho que agradecer, pois me deu energia para outros dois cruzamentos que acabaram em gol”.

Eventos em alusão a data da criação da Lei, ajudaria a fazer com que crianças e jovens refletissem mais sobre o tema, nas escolas e faculdades pelo Estado a fora.

Lei Áurea
Após uma longa batalha dos abolicionistas para acabar com a escravidão no Brasil no século XIX, no dia 13 de maio de 1888 foi sancionada a Lei Áurea, que tinha por finalidade libertar todos os escravos que dependiam dos senhores de engenho e da elite cafeeira.

Como regente do Brasil na época, a Princesa Isabel foi a responsável por assinar a Lei Áurea, depois de diversas tentativas empenhadas pelos integrantes da Campanha Abolicionista, que se desenvolvia desde 1870.

Também houve grande envolvimento com a liberdade dos escravos da própria Princesa Isabel. Ela votou a favor à Lei do Ventre Livre como senadora do Parlamento e financiou quilombos e refúgios de escravos com o fim de libertá-los.

O projeto da Lei Áurea foi apresentado pela primeira vez uma semana antes de ser aprovado pelo ministro Rodrigo Augusto da Silva. Passou pela Câmara e foi rapidamente avançado pelo Senado, para sanção da princesa regente. Foi uma medida estratégica, porque os deputados e alguns senadores queriam que o projeto de lei fosse aprovado de qualquer maneira enquanto o rei D. Pedro II viajava para o exterior.

De todos os países do continente americano, o Brasil foi o último a abolir a escravidão. Ainda hoje, mais de um século depois de aprovada a Lei Áurea, o regime escravocrata ainda resiste em lavouras e grandes pedaços de terra.

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