Roda de conversa com lideranças negras marca dia da consciência negra em Nova Andradina

Prefeito assume o compromisso de criar uma secretaria de direitos raciais e sugere formação de comissão para definir futuras ações alusivas à data

Cogecom


O prefeito Gilberto Garcia reuniu lideranças municipais negras para uma roda de conversa sobre combate ao racismo, igualdade racial e respeito às diferenças na tarde desta segunda-feira (20), data que marca o dia nacional da consciência negra.

A ideia é estabelecer um diálogo entre o governo municipal e a sociedade civil organizada, com vistas às propor políticas públicas e ações que valorizem a identidade do negro, diminuam o preconceito e a discriminação ao negro tão enraigado no país.

Abrindo o debate, Gilberto repercutiu sobre temas como o papel dos meios de comunicação como difusores do racismo, a sub-representação dos negros em cargos de poder, a valorização da cultura afro-brasileira e o racismo estrutural presente na sociedade brasileira.

Em seguida, assumiu o compromisso de criar uma secretaria de direitos raciais e sugeriu a formação de uma comissão para definir futuras ações alusivas à data. “Gradativamente, estamos quebrando paradigmas e rompendo barreiras. Hoje existe uma coordenadoria dentro da assistência social que tem o nosso respaldo e liberdade para desenvolver atividades que promovam os direitos raciais, não apenas do negro, como de quilombolas, indígenas, paraguaios e outros que sofrem com preconceito”, defendeu o prefeito.

A proposta da administração é expandir este trabalho com a criação de uma secretaria e a criação de uma comissão responsável pela elaboração de ações alusivas à data. “Como dizem os esportistas: para vencer uma maratona, tem que dar o primeiro passo. Abrimos este diálogo e queremos que vocês se reúnam e nos ajudem a propor políticas afirmativas que possam criar mais oportunidades aos negros, com respeito às diferenças, a história e a vida de todos os seres humanos”, disse o chefe do executivo.

Para Valéria Santos, que trabalha a produção textual na rede municipal é importante ensinar as crianças a amar o outro independente da cor de pele, exemplificando o que disse na cor de um lápis. “Na hora de pintar o desenho de uma pessoa, a professora dizia: use o lápis cor da pele, que era o rosa pálido ou pêssego. Está errado. Esta não é a cor da pele de ninguém. Eu procuro ensinar diferente. Não existe um padrão de cor, estamos numa sociedade miscigenada”, pontuou a educadora.

Ana Keiko foi miss beleza negra há 10 anos e disse que ser negro é ser forte, porque precisa enfrentar muitas situações de intolerância e falta de respeito. “Ser negro é ser escravo da falta de oportunidades e da falta de respeito. Temos que ter o orgulho de nossa identidade, exaltar a nossa força e nossas conquistas”, comentou a esteticista.

Responsável pelo setor de tributos da Prefeitura Municipal há mais de 20 anos, Valter Valentim, se emocionou ao lembrar do seu passado e das dificuldades que enfrentou até conquistar seu espaço e o respeito das pessoas. “Eu sofri dois tipos de preconceito, por ser negro e aleijado. A sociedade, muitas vezes, é cruel, nos joga pra baixo. Mas, busquei forças e venci”, declarou, orgulhoso de sua profissão, da família e a suas conquistas pessoais.   

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