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Intervenção no Rio aponta alternativa, mas fronteira é quem pede socorro

Da Redação
19/02/2018 10h39

A intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro gerou as mais diversas reações. Enquanto alguns aplaudem, outros criticam. Diferente do que é apregoado por aí, essa medida não representa mais uma falência do Estado, mas sim dos gestores escolhidos para reger essas (e outras) políticas públicas. 

 

Por outro lado, essa ação nos faz rever uma série de funções, especialmente do Exército Brasileiro (braço forte dessa intervenção) que, apesar de operar com apenas um terço do orçamento, estima ter consumido, somente em 2017, mais de R$ 767 milhões. 

 

Essa iniciativa do Governo Temer deve ser aproveitada para que as Forças Armadas passem por uma nova regulamentação, a fim de atuarem em outras frentes, principalmente se considerarmos que o Brasil não é um País com tradição em guerras e/ou com relações instáveis junto a outras nações. 

 

Nossa maior guerra é interna e, portanto, é necessária essa união e esse apoio para que o crime seja efetivamente combatido junto com as polícias Civis e Militar. Com um orçamento muito mais limitado, há tempos essas corporações têm atuado no limite e a adesão do Exército nessa luta contínua se faz mais que fundamental. 

 

Contudo, é imprescindível que o Governo promova essa intervenção de forma inteligente, guerreando contra a causa e não com a consequência. Enquanto une esforços para apresentar à sociedade um resultado paliativo, nossas fronteiras permanecem desprotegidas. 

 

Para se ter uma ideia, apenas 4% das fronteiras do Brasil são monitoradas, proporcionando um ambiente mais do que favorável para a entrada de drogas, armas e, por que não, criminosos. Essa é a porta de entrada do crime que se instala em nossas cidades e é a cerne do que deve ser combatido. 

 

Reportagem de O Globo mostra que essa cobertura pífia se dá na forma de projeto piloto, implantado a partir de Dourados, aqui mesmo em MS. Projetado pelo Exército para integrar radares, sensores, satélites e outros instrumentos de monitoramento e transmissão de dados, o Sisfron consumiu R$ 1 bilhão desde o início do projeto. 

 

Em 2014, o investimento chegou no auge de R$ 256 milhões anuais, caindo desde então. Ano passado, foi de R$ 182 milhões. O governo atual responsabiliza o contingenciamento de recursos nos últimos anos e a crise financeira pelo atraso, e promete aplicar R$ 470 milhões no projeto este ano. 

 

“Enquanto a expansão do sistema anda a passos lentos, cresce o clamor por mais homens nas fronteiras, sobretudo após a crise no sistema penitenciário com massacres recentes promovidos por facções ligadas ao tráfico de drogas”, resume o texto Global ao sintetizar o sentimento de quem convive próximo da fronteira. 

 

Que possamos aproveitar essa situação para rever políticas públicas efetivas, que garantam ao cidadão o mínimo daquilo que o Estado, através de seus governantes, se propôs a oferecer. A batalha contra as consequências de uma ação é importante, mas não será o bastante se a causa também não for combatida.



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