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Está difícil cumprir o isolamento social na pandemia? Especialista fala sobre o ''desafio do sacrifício'' pelo coletivo

O ato de permanecer em casa é necessário, mas para muitos pode ser um verdadeiro desafio
Da Redação / Imagens: Divulgação
29/06/2020 09h00

Cenário bastante comum em todo País e que se repete em Mato Grosso do Sul, é o aumento de casos e óbitos provocados pelo novo coronavírus que seguem na contramão das taxas de isolamento social. Sendo as medidas de mobilidade social a única forma de se proteger do vírus, porque é tão difícil seguir as recomendações de autoridades de saúde?

 

As taxas de recolhimento mapeadas desde quando surgiram os primeiros casos do novo coronavírus em Mato Grosso do Sul na segunda quinzena de março, mostram que nesse mesmo período em que haviam poucos casos e nenhuma morte em decorrência do vírus, foi também a fase em que o maior número de pessoas permaneceu em casa.  

 

Meses depois, é curioso ver que em paralelo ao aumento considerável de infectados e óbitos, ficar em casa é um ato praticamente impossível de se cumprir. A explicação para o desinteresse pode estar no aspecto político e econômico, mas também pode ser atribuído a questões mais íntimas, ligadas à forma como se encara a realidade.

Melhores índices de isolamento social mapeados pela In Loco foram registrados na segunda quinzena de março - Foto: Divulgação

Na avaliação da psicóloga Gabriela Silva Molento, fazemos parte de uma cultura hedonista, que valoriza o imediatismo e a busca de soluções fáceis, que nega a frustração e dá maior importância a satisfação do prazer individual e imediato, sem pensar nas consequências.

 

“Sabemos que o não cumprimento das instruções básicas que podem prevenir a proliferação do vírus vai influenciar no resultado da realidade e para isso certos prazeres e hábitos como rodas de tereré, situações de aglomeração, saídas de final de semana e entre outros, terão que ser sacrificados por um tempo, e isso frustra”, avalia.

 

A cultura do entretenimento e do consumismo são atribuídos pela especialista como uma maneira de os indivíduos lidarem com essa frustração. “Isso gera uma dependência emocional, e quando falta, resulta em problemas de ansiedade, vícios, compulsões e comportamentos incoerentes como esse em relação ao coronavírus, devido as pessoas não se autoconhecerem o suficiente para saberem lidar com suas frustrações e emoções de forma equilibrada, saudável, e direcionada para o crescimento pessoal e o bem-estar social”, pontua Gabriela.

 

Embora a pandemia exponha o lado mais frágil e vulnerável das pessoas, ela também oferece ao ser humano condições de experimentar a empatia e a solidariedade não só do cuidado individual, mas também coletivo.  “Precisamos fortalecer esses valores que beneficiam a vida, a saúde, a nossa essência, o mundo sensível da alma que nos preenche de um verdadeiro sentido existencial. E isso só é possível através do autoconhecimento, como já dizia o filósofo Sócrates há mais de 2000 ano atrás: conheça a ti mesmo”, finaliza. Com Subsecretaria de Comunicação



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