• Paraíso17

Utopia de um poeta

*Flávia Pimenta
29/06/2020 10h00

Há quem vê no poeta o saber

Vê flor e amor

Utopia.

Nos versos afetuosos

Ele esconde angústia e escuridão

Todos os alarmes gritam

Entre escritos escapando

Cursando as letras

Para não morrer de solidão.

 

Há quem vê no poeta

O rico escritor

Utopia.

És pobre de uma pobreza que o dinheiro não sana

Que os bens não o ganham

És pobre de afeto

E ainda que ame e o amem

És desprovido do amor.

 

Sempre falta um mais e um por que

Sempre falta um lugar e um encontro

Consigo e não contigo

Envolto a tanta gente

És tão carente.

 

Sozinho é tão cheio de si que rabisca

Aqui e ali

Em letras puídas, doídas.

Expondo o que lhe falta

E o que lhe sobra

Oras tanto, oras nada,

És o poeta do encanto

Que rima os cantos,

Que floreia o amor e por dentro sangra.

 

Incompreendido de si,

Nas analogias dos versos

Busca ser abrangido

Percorres poetizando

Granjeando sentido de vida,

Em cada palavra escrita.

 

Poeta somos todos nós

Que nas batalhas da vida

Mesmo perdidas

Permanecemos de pé

Buscando ter riso e fé.

 

Cada poeta se expressa distinto

Uns no retrato, outros na tinta do quadro,

Há quem canta ou dança,

Os que falam ou os que abraçam,

Quem ri e quem sonha.

 

E há os insanos que escrevem

Nos rabiscos o grito que não pôde calar,

O abraço incapaz de dar,

A música que não soube dançar,

Escreve a tinta que não quis pintar

Escreve sua tristeza

Num poema para encantar!

Utopia.

 

*Escritora e autora de quatro livros em Nova Andradina; “No seu olhar, No seu sorriso, Como está a sua Fé e Tempos que marcam”

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal da Nova



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