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Black Friday: No Dia da Consciência Negra: a carne mais barata no carrefurto é a carne negra

*Maiko Lopes / Imagens: Divulgação
21/11/2020 09h50

O assassinato por espancamento de um homem negro chamado João Freitas, em supermercado da rede Carrefour de Porto Alegre, além de um menosprezo, de acontecer na véspera do feriado de Zumbi dos Palmares, Dia da Consciência Negra, dia 20 de novembro, demonstra o tormento que vez ou outra a gente comenta.

 

A estrutura cultural. Que determina o racismo estrutural do país é culpada por esse tipo de violência contra os negros no Brasil, é a continuidade da escravidão, é o castigo, o pelourinho de formas diferentes. Se até recentemente o negro era açoitado em praça pública para servir de exemplo, hoje ele é espancado e morto nas lojas do carrefurto. O vídeo da violência é inegável nesse sentido.

 

- Dois seguranças espancando um homem negro completamente inofensivo e indefeso. Uma típica cena de linchamento que acontecia nas sociedades sem Direito, sem estado e sem justiça legal. O que temos n cena de violência é o direito arcaico sendo colocado em prática na sua máxima do Talião “olho por olho dente por dente”.

 

O lamentável acontecimento nos remete ao policial branco dos Estados Unidos que matou covardemente George Floyd tentando a todo momento colocar o joelho no pescoço da vítima.

 

- Uma funcionária - tão pobre e medíocre quanto todos os envolvidos - filmando sob excitação.

 

- O segurança que desfere os socos, imita um lutador de MMA, que muito provavelmente tenha aprendido nesses canais de violência que se vê por ai e defere socos contra o homem negro já completamente dominado por dois covardes e assassinos brancos.

 

Os agressores, assassinos, tentam imitar esse tipo de coisa porque acham bonito e porque sabem que no Brasil em tempos de presidente da república machista, racista, homofóbico e miliciano muito provavelmente não terão a justa prisão e condenação por assassinato culposo e doloso. Nem para armar uma vingança contra os assassinos brancos a população se mobilizava escancarando o seu racismo estrutural. Que tipo de luta contra o racismo pelas vias institucionais a gente vai conseguir enquanto tivermos como ministros figuras como Luiz Fux? Barroso, Fachin homens brancos, adultos e héteros que apoiam tipos de Estado que judicializou a política e faz pacto com racistas.

 

Ora, vai dizer que lá dentro, na Polícia Civil do Rio e no MP Carioca ninguém sabe quem é o mandante do assassinato da Marielle? 

 

A grande imprensa que passa décadas dando voz para figuras de extrema-direita, homens brancos, adultos protofascistas como Luiz Carlos Prates, Caio Copolla, Alexandre Garcia, William Waack, Ratinho, Datena, Boris Casoy, Augusto Nunes, esse último um nazista confesso, que bate em colegas jornalistas por discordar da sua opinião. A Jovem Pan meio de comunicação que destila ódio.

 

Deixaram esses protofascistas falando barbaridades na mídia sob o argumento de LIBERDADE DE EXPRESSÃO.

 

Agora tem que embalar o filho que pariram. O problema é que não são eles que se fodem, e sim quem está aqui na ponta.  

 

Porque podem ter certeza, a população de uma forma geral, o senso comum, ainda tende a vitimizar os seguranças. Não tenham dúvidas disso. E por que o fazem? Não é só assimilação ao racismo estrutural, mas também a um contínuo aparato cultural e estético que dá vazão a isso.

 

Na~o e´ por ser negro que a gente deveria ter medo de ir ao mercado.

Na~o e´ por ser negro que a gente e´ bandido.

Na~o e´ por ser negro que a gente merece morrer. 

 

Demissões na~o sa~o o bastante. E´ preciso que os assassinos financiados por um tipo de elite branca sejam responsabilizados criminalmente.

 

E´ preciso que você^ pare de normalizar as mortes que acontecem no seu estabelecimento com notas de repúdio. E´ preciso que pessoas como eu consigam fazer o básico: viver! 

 

Seu racismo MATA e não da´ mais pra consumir de empresas onde temos que pagar com nosso sangue.]

 

*Acadêmico do curso de Direito da Finan e membro do Grupo de Estudos de Direitos Humanos (GEDHU)

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal da Nova



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