''Fraco'', polícia paraguaia aposta que Fahd Jamil será ''retirado de mercado''

Diretor da Polícia Nacional acredita que Jamil será 'retirado de mercado' por outra organização criminosa por estar muito fraco
Campo Grande News / Imagens: Marciano Candia/Última Hora
28/11/2020 09h00
Perícia Paraguai em local onde corpos foram encontrados / Imagens: Marciano Candia/Última Hora

A Polícia Nacional do Paraguai acredita que Fahd Jamil Georges não está escondido no país e sim no Brasil. Mas reforçam a hipótese de que a matança registrada nessa semana em Pedro Juan Caballero seja mais um episódio na guerra pelo mercado de drogas e armas, agora, envolvendo o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o clã de Fahd. Nessa batalha, a aposta da polícia é que o, até então, considerado "Rei da Fronteira", perca a coroa finalmente.

 

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Segundo o diretor da Polícia Nacional, Crio Gilberto Fleitas é bem provável que o PCC vença esse combate já que Jamil está "fraco". “Tal como aconteceu com a queda de Jarvis Pavão, presumimos que seja esta a situação no país vizinho. Jamil é atualmente um foragido, então acho que ele está um pouco fraco e vai ser retirado do mercado por outra organização criminosa”, afirma.

 

O sul-mato-grossense, Jarvis Pavão por muitos anos comandou a remessa de cocaína vinda da Bolívia, Peru e Colômbia e da maconha produzida no Paraguai, enviadas ao Brasil através de Ponta Porã. Ele declarou guerra contras as organizações rivais para manter esse controle, mas acabou preso e hoje está o Presídio Federal de Brasília.

 

Fahd hoje é considerado foragido por mandado de prisão da Omertà, que revelou grupo de extermínio comandado por ele e pelo empresário Jamil Name.

 Foto de Fahd Jamil em casamento na década de 1980 - Foto: Reprodução

A Polícia Nacional ainda afirma ao portal ABC Color, que a suspeita, segundo dados da inteligência, é de que o PCC pretende eliminar os integrantes do clã de Jamil para monopolizar o tráfico na área de fronteira.

 

Dois sobrinhos de Jamil, assim como 1 guarda-costas e o motorista foram desenterrados quinta-feira (26) de uma cova rasa em Pedro Juan Caballero.

 

Quinta-feira, a Polícia Nacional deteve dois homens e uma mulher, todos brasileiros apontados como integrantes do PCC.

 

Os mortos teriam ligação direta com o filho de Fahd Jamil, Flavio Georges, o Flavinho, hoje apontado como o representante do pai nos negócios.

 

Corpos encontrados

A investigação da Polícia Nacional do Paraguai mostra até agora que apenas um dos quatro homens encontrados mortos quinta-feira (26) em uma cova rasa na fronteira foi levado do Cassino Guarani, em Pedro Juan Caballero, cidade vizinha de Ponta Porã. O paraguaio Cristhian Gustavo Torales Alarcón, de 3 anos, era motorista do cassino e estava no local de trabalho na noite de segunda-feira (23) quando foi levado pelos sequestradores.

 

O carro dele, um Toyota/Etios, cor branca, com placas do Paraguai, foi encontrado em chamas na manhã do dia seguinte, na Colônia Maffusi. A mulher de Alarcón foi a única a procurar a polícia para denunciar o desaparecimento do marido.

 

Segundo o apurado até agora pelos policiais paraguaios, os brasileiros Riad Jamil Oliveira Salem, de 19 anos, Muryel Moura Correia, de 36 anos, e Felipe Bueno, cuja idade não foi informada, foram sequestrados em pontos diferentes em Ponta Porã.

 

O carro de Muryel, um Volkswagen/Polo azul com placas de Mato Grosso do Sul, foi encontrado queimado em uma estrada vicinal que liga Pedro Juan Caballero ao distrito de Sanja Pytã, bem ao lado do território brasileiro.

 

Muryel e Riad eram sobrinhos da segunda mulher do empresário Fahd Jamil, o “Fuad”, considerado por 30 anos o “rei da fronteira”. O cassino de onde Gustavo foi levado seria do filho de Fahd, Flavinho Correia Jamil, primo de Riad e Muryel.

 

Levados para local ainda desconhecido, os quatro foram barbaramente torturados, segundo pessoas que estiveram no local onde os corpos foram encontrados.

 

Todos estavam com sacos de plástico na cabeça e possuíam vários ferimentos. De acordo com a ocorrência da Polícia Nacional, o médico forense Gustavo Galeano constatou enforcamento como causa provável das mortes.

 

Gerente presa 

A gerente do Cassino Guarani, a brasileira Norma Suellen Mendes Couto Aponte, foi presa durante buscas da polícia ao local, quinta ao meio-dia. Ela é acusada de não denunciar o sequestro de Gustavo Alarcón e vai passar por audiência para depoimento nesta sexta-feira.

 

De acordo com o promotor Álvaro Rojas, ela passou mal ontem e teve de ser internada em hospital da cidade, onde permanece com escolta policial.



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