Filho de ex-prefeito citado em relatório de investigação da PF nega vínculo com TCE-MS

Lucas Hashioka trabalhou para empresa terceirizada que prestou serviços para o Tribunal de Contas
Da Redação / Imagens: Arquivo pessoal
09/06/2021 16h38
O advogado Lucas Gandolfo Hashioka / Imagens: Arquivo pessoal

O advogado Lucas Gandolfo Hashioka, filho do ex-prefeito e ex-secretário do Governo do Estado, Roberto Hashioka, citado em relatório de investigação da Polícia Federal que deflagrou nesta terça-feira (8) a "Operação Mineração de Ouro", que apura corrupção, lavagem de dinheiro, peculato e organização criminosa, envolvendo membros do TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado) de Mato Grosso do Sul, disse ao Jornal da Nova, que não fez parte do quadro de servidores do TCE-MS e sim de uma empresa terceirizada que atendia a Corte de Contas Estadual.

 

Através de nota, Lucas rebateu a informação de que fez parte do quadro de servidores do órgão, como noticiado por site de notícias e esclareceu ao Jornal da Nova que:

 

“Em relação à matéria veiculada por órgãos de imprensa, que inclui meu nome como servidor do Tribunal de Contas do Estado, informo:

 

Prestei serviços à empresa Dataeasy no período compreendido entre outubro a dezembro de 2018, não tendo portanto, estabelecido qualquer vínculo direto com o Tribunal de Contas do Estado, como sugeria a matéria em questão.

 

Destaco ainda que, em nenhum momento fui procurado pela imprensa para esclarecer a realidade das informações veiculadas, me sendo cerceado o direito de defesa diante das inverdades publicadas.

 

Quanto à comprovação de meu vínculo com a Dataeasy, informo que possuo toda a documentação comprobatória, a exemplo da minha frequência de ponto, bem como de minha rescisão contratual com a empresa.

 

Por fim, reafirmo que as acusações a mim atribuídas não correspondem com a verdade, além de colocarem em detrimento minha trajetória profissional pelo teor calunioso que possuem e que, diante dos fatos, medidas judiciais cabíveis serão tomadas contra os autores”, diz.

 

|Entenda

Lucas foi citado em uma matéria, sobre uma das empresas contratadas e investigadas pela Corte Fiscal em 2018, em texto que aponta o número de funcionários da empresa. Segundo a matéria, o grupo triplicou o número de funcionários, de 34, em 2017, para 118 no ano seguinte. Entre 2007 e 2017, a média de trabalhadores foi de 26 por ano. A maioria absoluta, 100, eram novos funcionários.

 

A matéria cita ainda, trechos do despacho do ministro Francisco Falcão do STJ, que questiona a capacidade técnica de outros nomes listados no processo.

 

“Dando prosseguimento à análise quanto aos funcionários das empresas Dataeasy e Cast Informática, foi verificado, a nosso ver, em resumo, a contratação de pessoas com vínculos com Conselheiros do TCE/MS e com políticos locais para funções que demandam conhecimentos técnicos na área de informática (como por exemplo de manutenção de redes), sendo obtidos fortes indícios no sentido de que tais pessoas não têm conhecimento técnico na área, apontando se tratarem de funcionários ‘fantasmas’ para o superfaturamento dos contratos firmados com as citadas empresas (peculato, previsto no Art. 312 do Código Penal) e consequente pagamento de propinas (corrupção passiva, prevista no Art. 317 do Código Penal)”, frisou o ministro Francisco Falcão, do STJ (Superior Tribunal de Justiça) que despacha no relatório.

 

Entre os nomes citados no relatório, o ministro cita ainda, Mara Regina Bertagnolli de Gonçalves, ex-secretária do ex-governador André Puccinelli (MDB), como uma das funcionárias contratadas pela Dataeasy. Outros nomes citados foram Isabela Pires Giroto, Fernando Jeronymo Serra, Elieth Rosa Possari, Lidiane Serpa Gonçalves, Danilo Deivid dos Santos e Cláudia Mara Tumelero Gomes.

 

Em decorrência das suspeitas, o ministro Francisco Falcão determinou o afastamento do sigilo fiscal das empresas, dos conselheiros e dos parentes de políticos. “Nesse cenário, o acesso aos documentos fiscais e bancários dos investigados se torna crucial, como meio de verificar a sua movimentação financeira e evolução patrimonial, fatores indicativos de efetiva participação no esquema criminoso”, concluiu o ministro.

 

Somente a investigação da PF irá confirmar quem trabalhava de fato e quem era funcionário fantasma do TCE por meio da empresa de informática.



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