Vento da liberdade

*Felipe Pereira
09/10/2021 19h00

Era um inverno rigoroso naquele início de 1937. O homem que caminhava na neve já estava fugindo por um dia inteiro. Ele sabia que não sobreviveria por muito tempo, sua carcaça já protestava, suas pernas mal aguentavam se locomover. Mas era melhor padecer como um homem livre do que naquele terrível campo de concentração. A Alemanha se tornara nazista e os opositores estavam sendo lançados em prisões. Ele sabia que suas pesadas críticas ao regime nazista o levaria a um fim terrível, mas não se importou.

 

Agora, enquanto suas pernas falhavam, ele lamentava-se por ver seu amado país entregue aos lobos. Ele foi levado no ano passado ao campo de concentração na cidade de Dachau, foi tratado como animal e condenado ao serviço escravo até a morte silenciar seu sofrimento. Sua sorte se deu numa rara oportunidade de fuga, ele reuniu a coragem necessária e passou pela pequena brecha que se formou devido à grande construção que estava sendo realizada na prisão.

 

Alguns guardas nazistas ainda atiraram na tentativa de pará-lo e o seguiram até certo ponto, mas decidiram que não valeria a pena, pois logo ele morreria de qualquer jeito.

 

O homem na neve sabia que seu destino era perecer naquele vasto cobertor de gelo. Ele se entristecia quando pensava nos seus companheiros de cela, homens íntegros e inocentes que apenas tentavam lutar por uma Alemanha mais democrática e justa.

 

Ele deu seus últimos passos, deitou-se de costas. Os nazistas lhe tiraram tudo, mas não tiraria suas esperanças de dias melhores. Infelizmente ele não veria os bons dias chegarem, mas no seu íntimo ele sabia que eles viriam. Por mais melancólico que estava, ele permitiu que seu corpo descansasse em paz. A Natureza o velaria com seu manto branco.  

 

*Estudante de contabilidade, morador em Nova Andradina e autor de livros

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal da Nova



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