Banco Central: cenário econômico é de retomada nas cinco regiões do país

Ritmo de recuperação é menos intenso que o previsto inicialmente
Agência Brasil / Imagens: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
24/11/2021 15h00
Banco Central do Brasil / Imagens: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O cenário da economia no terceiro trimestre do ano é de retomada da atividade em todas as regiões do país, de forma menos intensa e concentrada no setor de serviços, segundo análise do Boletim Regional, divulgado hoje (24) pelo Banco Central.

 

O boletim, que apresenta as condic¸o~es da economia nas cinco regio~es do país, diz que esse comportamento da economia tende a favorecer as economias do Nordeste e Sudeste.

 

Sudeste

No Sudeste, a atividade econo^mica continuou em expansa~o no terceiro trimestre, favorecida pela recuperação do setor de serviços, com o avanc¸o da vacinac¸a~o contra a covid-19 e menor efeito da pandemia na região. Todos os segmentos de servic¸os apresentaram abertura de vagas, com destaque para atividades administrativas e servic¸os complementares, alojamento e alimentac¸a~o.

 

Por outro lado, o boletim aponta que o comércio varejista, apo´s va´rios meses de relativa estabilidade, registrou retrac¸a~o mais pronunciada a partir de agosto, encerrando o terceiro trimestre com variac¸a~o negativa, refletindo o possi´vel deslocamento da demanda para servic¸os.

 

Em relação à Indústria, dificuldades para a obtenc¸a~o de insumos e os prec¸os de algumas cadeias produtivas, especialmente a automotiva, contribuíram para a queda da produc¸a~o no terceiro trimestre. Houve retrac¸a~o em quinze dos 22 setores pesquisados, com destaque para fabricac¸a~o de outros produtos de transporte (11,7%) e vei´culos (8,4%).

 

Com isso, no trimestre, o índice de atividade econômica da região variou 0,4%, apo´s expansa~o 0,8% no período anterior. Segundo o BC, os indicadores apontam para acomodac¸a~o da atividade econo^mica no Sudeste, no quarto trimestre.

 

“Presso~es de custos e falta de insumos em setores da indu´stria, com e^nfase no segmento automotivo, te^m efeitos negativos sobre a produc¸a~o fabril. Em sentido contra´rio, o avanc¸o da vacinac¸a~o favorece a continuidade da recuperac¸a~o dos segmentos de servic¸os mais impactados pela pandemia, sobretudo os direcionados a`s fami´lias”, diz o boletim.

 

Nordeste

No Nordeste, o crescimento econo^mico no trimestre encerrado em setembro foi liderado pelos servic¸os, destacando-se os prestados a`s fami´lias e transportes, em ambiente de recuperac¸a~o gradual da mobilidade das pessoas e de ligeira melhora no mercado de trabalho.

 

“O contexto de arrefecimento da pandemia e melhora da confianc¸a refletiu-se em maior dinamismo de atividades que dependem de interac¸a~o social, como os servic¸os prestados a`s fami´lias e as relacionadas ao turismo, que te^m maior representatividade no Nordeste”, diz o boletim.

 

Também houve um cenário de recuperação parcial da indu´stria de transformac¸a~o, apo´s retrac¸o~es nos dois trimestres anteriores. Com isso, o índice de atividade econômica da região expandiu 0,5% no peri´odo em relac¸a~o ao anterior, quando cresceu 0,8% na mesma base de comparac¸a~o.

 

Centro-Oeste

O Centro-Oeste registrou crescimento mais moderado no terceiro trimestre, influenciado principalmente pelos efeitos da menor produção de milho e cana-de-açúcar. O resultado positivo foi sustentado pela expansão do comércio, da construção civil e dos serviços de alojamento e alimentação, repercutindo os efeitos do avanço na vacinação.

 

Nesse contexto, o índice de atividade econômica da região cresceu 0,7% no terceiro trimestre de 2021, em relação ao trimestre anterior (2,3%), segundo dados dessazonalizados. No acumulado de doze meses, o indicador expandiu 2% em setembro (0,8% no mesmo mês de 2020).

 

O boletim aponta ainda que a safra recorde de gra~os na~o deve se repetir no ano de 2021 em decorre^ncia das condic¸o~es clima´ticas adversas, principalmente da estiagem prolongada a partir de fevereiro, que provocou queda significativa nas colheitas de milho, algoda~o e cana-de-ac¸u´car.

 

“A economia do Centro-Oeste manteve trajetória de crescimento, com oscilações relacionadas ao desempenho do agronegócio. A perspectiva de safras recordes de commodities agrícolas em 2022 continua sendo importante varia´vel de sustentac¸a~o para a regia~o, com desdobramentos em outras atividades”, diz o documento.

 

Norte

A Região Norte na~o repetiu o bom desempenho observado no trimestre anterior. Segundo o boletim, o recuo refletiu a desacelerac¸a~o na indu´stria e no come´rcio, impactados pela limitac¸a~o da oferta de insumos na cadeia produtiva. O índice de atividade econômica da região recuou 1% no terceiro trimestre do ano, influenciado pelas retrac¸o~es no Amazonas (-3,1%) e Para´ (-0,9%).

 

Segundo o boletim, no setor de servic¸os, apesar do arrefecimento da intensidade da recuperac¸a~o na margem, o setor registrou expansa~o no terceiro trimestre, com aumento em quatro estados. A produção industrial da região acompanhou o que ocorreu na indústria nacional e também registrou contração no trimestre. A indústria geral recuou 1,5% no período.

 

Já as vendas do come´rcio reverteram crescimento assinalado no segundo trimestre. Com isso, o Norte encerrou o terceiro trimestre com recuo de 0,7% no come´rcio ampliado (9,7% no segundo trimestre), com quedas em cinco dos sete estados da regia~o.

 

O boletim aponta, contudo, para um crescimento do faturamento do varejo, em maior proporc¸a~o nos setores de alimentac¸a~o e combusti´veis. A expectativa para a região é que, no quarto trimestre, o desempenho do setor melhore, impulsionado pelas vendas de final de ano, com a Black Friday e o Natal.

 

Sul

A Região Sul assinalou desacelerac¸a~o do processo de crescimento, com indicadores da produc¸a~o industrial e do come´rcio abaixo do esperado. Com isso, o índice de atividade econômica no terceiro trimestre recuou 0,7%, apo´s quatro intervalos consecutivos de alta. O setor industrial foi o quem mais contribuiu para a retração da atividade econômica, em razão de problemas com a normalizac¸a~o da cadeia de suprimentos, além dos estoques reduzidos e custos elevados.

 

O resultado do terceiro trimestre confirmou a recuperac¸a~o do setor de servic¸os, que expandiu pelo quinto peri´odo em seque^ncia, mitigando a retrac¸a~o da atividade econo^mica. Todos os segmentos registraram alta, sobretudo os destinados a`s fami´lias e os que envolvem contato pessoal. A avaliação é de que a trajeto´ria deve persistir no final de ano.

 

Segundo o boletim, a atividade econo^mica do Sul tem evolui´do de forma assime´trica ao longo do ano, com destaques positivos para a indu´stria e produc¸a~o agri´cola no primeiro trimestre e para o come´rcio e a construc¸a~o civil no segundo. A avaliação é de que “a normalizac¸a~o da cadeia de suprimentos industriais, inclui´dos semicondutores para o setor automotivo e insumos agri´colas, especialmente defensivos, e´ essencial para garantir dinamismo adicional a` economia do Sul.”



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