Migrantes e suas bagagens culturais: um caminho de luta e saudade

Entenda importância da música para consolar quem está longe das suas origens
Da Redação / Imagens: iStock
14/01/2022 13h30

Mudar e se adaptar é uma estratégia utilizada por muitos animais, principalmente as aves migratórias, que vão aonde o clima está mais favorável. O bicho homem costuma migrar também por questões de sobrevivência, principalmente econômica, mas o lugar de origem costuma deixar muita saudade e ser símbolo de nostalgia. A música é uma ferramenta que transporta esse homem de volta a suas origens, mesmo que somente por alguns instantes, por isso ela acompanha o migrante aonde quer que ele vá. 

 

“Por ser de lá, do sertão, lá do cerrado, lá do interior do mato, da caatinga do roçado/Eu quase não saio, eu quase não tenho amigos, eu quase que não consigo ficar na cidade sem viver contrariado.” Quando Gilberto Gil escreveu essas palavras, deu voz a uma multidão de pessoas que saíram do Nordeste em busca de melhores condições de vida e trabalho no Sul do Brasil. De acordo com o Relatório Mundial sobre Migrações de 2020, realizado pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), da ONU, o número de pessoas que saíram de seus países para viverem em outros é de 272 milhões, o equivalente a 3,5% da população mundial. O documento revela também mais dois dados importantes, registrados no ano passado: o deslocamento forçado interno atingiu um recorde de 41 milhões de pessoas e foram registrados 26 milhões de refugiados.

 

Refugiados

Além da migração de dentro do país, de acordo com o Observatório de Migrações Internacionais (OBMigra), mantido pela Universidade de Brasília (UnB), com apoio do Ministério da Justiça, o Brasil é um destino comum para famílias que são forçadas a abandonar seus países em busca de novas oportunidades. Atualmente, existem cerca de 774,2 mil imigrantes vivendo regularmente no país. 

 

Migração cantada

A migração no Brasil, a busca de condições de vida mais dignas, longe da seca, e a saudade do que ficou estão sempre marcadas nas músicas de Luiz Gonzaga. Em Asa Branca, ele canta: “hoje longe, muitas léguas, numa triste solidão, espero a chuva cair de novo, pra mim vortar pro meu sertão…Quando o verde dos teus óio se espaiar na prantação, eu te asseguro, não chore, não, viu, que eu vortarei, viu, meu coração”. A saudade do homem que sai à procura de sustento para a família também está presente nas letras de Gonzaguinha, quando ele diz: “espere por mim, morena, espere que eu chego já. O amor por você, morena, faz a saudade me apressar”.

 

O processo de migração em massa que aconteceu de pessoas de todos os cantos do Brasil para Brasília foi cantado na voz de Renato Russo, na música da Legião Urbana, Faroeste Caboclo, no trecho: “o João aceitou sua proposta, e num ônibus entrou no Planalto Central. Ele ficou bestificado com a cidade, saindo da rodoviária viu as luzes de Natal. Meu Deus, mas que cidade linda, no ano novo eu começo a trabalhar. A estranheza do nordestino ao chegar em São Paulo virou canção na voz de Caetano Veloso: “é que quando eu cheguei por aqui, eu nada entendi, da dura poesia concreta de tuas esquinas, da deselegância discreta de tuas meninas”. 

 

O dia dedicado ao migrante não é uma data só para sentir saudade, é uma oportunidade para valorizar o que cada pedacinho do Brasil tem de melhor, tomar um chimarrão, um vinho malbec, ou uma caipirinha, comer um acarajé, uma moqueca, ou baião-de-dois, para comemorar este país riquíssimo em cultura, mas que tem em seu povo a maior riqueza.



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