Revista Charlie Hebdo já havia sido atacada por charge de Maomé


O semanário francês "Charlie Hebdo" foi alvo nesta quarta-feira (7) de um ataque de homens armados que deixou 12 mortos - 10 funcionários da revista e dois policiais. A publicação já havia sido atacada em 2011, após ter publicado charges do profeta do islamismo, Maomé.

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Em novembro daquele ano, uma bomba incendiária foi jogada no escritório da revista, no 11e arrondissement, em Paris. Ninguém assumiu responsabilidade pelo ataque, que aconteceu horas antes da edição do "Charlie Hebdo" chegar às bancas com uma tirinha na capa de Maomé e um balão de discurso que dizia '100 chicotadas se você não morrer de rir'.

O semanário, conhecido por seu tratamento irreverente a questões políticas e figuras religiosas, trazia o título "Charia Hebdo", em referência à lei muçulmana sharia, e disse que a edição daquela semana tinha como editor convidado Maomé.

Um dia depois do ataque, a revista reproduziu o desenho com outras caricaturas em um suplemento especial distribuído junto com um dos principais jornais do país. A "Charlie Hebdo" defendeu 'a liberdade de tirar sarro' no suplemento de quatro páginas que foi embrulhado em volta das cópias do jornal diário de esquerda 'Liberatión'.

"Pensamos que as linhas haviam mudado e que talvez houvesse mais respeito pelo nosso trabalho de sátira, nosso direito de zombar. A liberdade de dar uma boa risada é tão importante quanto a liberdade de expressão", afirmou na época o editor do Hebdo, Stephane Charbonnier, no suplemento do 'Liberatión'.

A publicação de charges de Maomé em um jornal dinamarquês em 2005 provocou revolta no mundo muçulmano, na qual pelo menos 50 pessoas foram mortas.

A França tem a maior comunidade muçulmana da Europa, com cerca de cinco milhões em uma população total de 65 milhões. O país tem uma profunda tradição de secularismo oficial e adotou uma proibição este ano às mulheres vestindo véus que cobriam o rosto em público, que está sendo contestada no tribunal.

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