5 motivos para ser ateu

*Pablo Diego Barros de Jesus


Há pouco mais de vinte anos eu sou ateu. Atualmente, tenho 39 anos. Quem me conhece pessoalmente sabe que, como bombeiro militar, exerço minha profissão de forma digna e honesta. Quem convive ou já conviveu com um ateu constata que o mundo em que vivemos é formado por pessoas que pensam de forma diferente e também é capaz de compreender que o entendimento particular de um indivíduo não pode ser usado como parâmetro para definir o que é certo ou o que é errado, baseado apenas no conceito subjetivo de cada um.

Ao longo desse tempo, diversas pessoas entraram em contato comigo dizendo que também pensavam como eu, expressando sua compreensão de que o universo é como é sem a necessidade da existência de um ser criador e governante, uma vez que não existem evidências plausíveis de nenhuma divindade. Dito isto, vou elencar cinco motivos que entendo serem suficientes para mostrar que ser ateu é tão normal quanto ser religioso em um país democrático como o Brasil.

Ser feliz sendo ateu: eu sou um exemplo real de uma pessoa que é ateia há muito tempo e, por este motivo, sou feliz. Claro que é possível ser feliz sendo ímpio ou crente, uma vez que ser feliz independe do fato de alguém professar uma crença ou não. Qualquer pessoa que não esteja fechada em sua bolha comunitária vai verificar que existem ateus, agnósticos e sem religião ao redor e vai constatar também que o ateísmo proporciona felicidade e qualidades éticas e morais às pessoas.

Sexo sem culpa: partindo do princípio de que o livre-arbítrio é uma faculdade que o homem possui, escolher viver sem ser tutelado por uma hipotética divindade é uma opção que traz vários benefícios. Estudos recentes, por exemplo, indicam que ateus possuem vida sexual muito satisfatória em comparação com religiosos porque não se sentem culpados por seu comportamento de alcova. Não se está falando de devassidão sexual, mas do sentimento de culpa e da sensação de transgressão que alguns podem sentir por estarem indo contra preceitos supostamente estabelecidos por supostas divindades ao usufruírem dos benefícios do sexo.

Compreender o mundo através de uma concepção dessemelhante: viver sem as amarras da religião também abre oportunidade para absorver diferentes pontos de vista em relação à compreensão do mundo. Assim, levar a vida sem adorar alguma deidade significa compreender a realidade de forma mais completa, eclética e plural. Rever nossos conceitos estabelecidos deveria ser uma premissa porque devemos imaginar que podemos estar acreditando em algo que não condiz com a realidade ou até mesmo termos sidos influenciados e manipulados a acreditar em algo equivocado. Muitos supõem o seguinte: “Todo mundo que pensa de maneira divergente do que eu penso está errado”. Mas será mesmo?

O ateísmo é a favor da ciência: o ateu é aquela pessoa indagadora que duvida dos dogmas religiosos de forma que baseia seu pensamento naquilo que pode ser comprovado por evidências científicas, as quais utilizam o método científico como premissa necessária. Dessa forma, o ateísmo está sempre andando de mãos dadas com a ciência, que foi e é a grande responsável pelos verdadeiros avanços da sociedade, pois, através dela, a medicina foi criada, a astronomia fez descobertas fantásticas, como a que demonstra que o universo foi criado há mais ou menos 14 bilhões de anos a partir de um processo de expansão contínua de um átomo primordial e sem a necessidade de uma divindade, assim como a tecnologia que conhecemos atualmente floresceu graças ao desenvolvimento da ciência.

O ateísmo é necessário: o ateísmo é necessário dentro do contexto de uma sociedade de ideias plurais. Se nosso país fosse formado por uma população na qual cem por cento das pessoas professassem uma única religião, logo o Brasil seria uma teocracia e não uma nação democrática. A possibilidade de manifestação de enfoque contrário ao entendimento religioso dominante é fundamental no tecido social democrático e assegura que os direitos de minorias sejam respeitados e exercidos de forma plena, não apenas os anseios da maioria. Por este motivo, é necessário aprender a conviver pacificamente com opiniões discrepantes.

Infelizmente, algumas pessoas têm a pretensão de impor suas perspectivas religiosas a toda sociedade, mas isso não vai acontecer no Brasil democrático. O incréu, assim como o devoto de fé, têm os mesmos direitos, como poder publicar um texto opinativo e defender seu ponto de vista. Quem nunca conversou com um incrédulo sugiro abrir-se para um diálogo que vai ser interessante e profícuo. O Brasil é um país de ateus e religiosos.

*Bombeiro militar, tem 39 anos, mora em Corumbá, ateu e curioso por natureza

Este texto, não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal da Nova

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