Wando deixa legado de celebração sem culpas da safadeza

Redação


"Moça, eu te prometo / Eu me viro do avesso / Só pra te abraçar / Moça, eu sei que já não é pura / Teu passado é tão forte / Pode até machucar".

Os versos de "Moça", primeiro sucesso de Wando, já mostravam em 1975 muito da personalidade que o cantor e compositor,morto nesta quarta aos 66 anos, iria desenvolver nos anos seguintes.

Primeiro, a maneira despudorada de falar do amor e principalmente do sexo. Segundo, o modo de retratar o sexo feminino. As mulheres de Wando gostam, e muito, de sexo. E ele não as julga por isso.

Sim, ele sabe que a moça "já não é mais pura" e tem um "passado forte". Mas isso não impede que ele queira se "enrolar nos seus cabelos, abraçar seu corpo inteiro, morrer de amor, de amor se perder".

Seu maior sucesso, "Fogo e Paixão" (1985), é uma celebração desse sexo sem culpas: "Me suja de carmim / Me põe na boca o mel / Louca de amor, me chama de céu / E quando sai de mim / Leva meu coração / Você é fogo, eu sou paixão."

Essa maneira direta de tratar o sexo rendeu a Wando acusações de mau gosto ou breguice. Ele, a que tudo indica, não se importava. Pelo contrário: aproveitou a oportunidade para reforçar a imagem de "o cantor mais erótico do Brasil".

Veio então a tradição de receber e distribuir calcinhas em seus shows. E também os discos com títulos bem sugestivos: "Obsceno", "Tenda dos Prazeres", "Depois da Cama", "O Ponto G da História", "Picada de Amor" e por aí vai.

As músicas? Safadíssimas. "Sinto aqui dentro um desejo louco / Que corre nas veias e queima como fogo", canta em "Ritual" (1988). Em "Eu Já Tirei a Tua Roupa", foi ainda mais direto: "Eu te quero em minha cama / Amassando os meu lençóis / Me pedindo tanto amor / Dividindo sensações."

Sua mulher ideal? Tão safada quanto ele. "Eu te quero assim / Fazendo uma cama na nossa banheira / Fazendo por cima, de lado, ou de beira / Pedindo me espere que eu quero mais", canta na música que leva o adequado título de "Safada".

Morte de Wando

Durante coletiva realizada na manhã desta quarta-feira (8), os médicos do Biocor Hospital, em Nova Lima, em Minas Gerais, entre eles o Dr. Joel Teles, que cuidava de Wando durante período de internação, comentaram e explicaram as causas da morte do cantor. "Wando foi vítima da doença aperosclerótica, entupimento das artérias por gordura. Quatro fatores culminaram nisso: sedentarismo, genética, excesso de peso - Wando estava com 110 kg, bem acima do peso recomendado - e estilo de vida, que falta de exercícios físicos, dieta irregular", disse Joel.

Teles ainda explicou que foram feitas manobras de ressuscitação, mas que ambos os procedimentos não surtiram efeito. Wando passou mal às 5h40, com queda de pressão sanguínea. Foi tratado com medicamentos que fazem a pressão subir e foram ajustados os parâmentros do ventilador, que faz ventilação mecânica para fazê-lo respirar.

"Houve a piora cardíaca súbita, que culminou com a parada cardíaca às 6h40. Apesar de todos os esforços ele não respondeu e veio a falecer às 8h", detalhou Heberth Mioto, chefe de cardiologia do Biocor.

A equipe médica também comentou que a última terça-feira (7) foi um dia muito bom para Wando. "Ele se alimentou pela boca, comeu algumas colheres de iogurte e o ecocardiograma mostrou que as condições cardíacas estavam as mesmas, ou seja, houve estabilidade. Se ele não houvesse a complicação, na próxima semana ele iria pro quarto", continuou Mioto.

Wando deu entrada no Biocor Hospital no dia 27 de janeiro, quando foram feitos exames que constataram o entupimento de 3 artérias. Ele seria submetido a uma cirurgia de ponte de safena, mas sofreu um infarte já no dia 28. "Quadros semelhantes ao de Wando chegam a 80% de chance de morte", finalizou. (iG com Terra)


 

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