Cinco policiais militares suspeitos de executar dois jovens na Zona Oeste no início do mês tiveram prisão temporária decretada nesta segunda (30). Investigação do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) aponta que eles simularam um tiroteio para disfarçar a morte de Cesar Dias de Oliveira e Ricardo Tavares da Silva, ambos de 20 anos.
O sargento Marcelo Oliveira de Jesus e os soldados Denis da Costa Martinez, Raphael de Arruda Bom, Gringer Ferreira Prota e Rafael Salviano Silveira trabalhavam no 14 Batalhão (Osasco) e foram capturados pela Corregedoria da Polícia Militar durante a noite.
O comando da PM informou, em nota, que trabalha em conjunto com a Polícia Civil “nesse e em outros casos do gênero”.
EXECUÇÃO
“Vocês fizeram uma c... e têm de consertar”, teria dito o comandante da equipe que baleou Cesar e Ricardo na madrugada do dia 1. A afirmação foi feita ao DHPP por uma testemunha protegida, que presenciou a execução dos rapazes e depôs contra os PMs.
Segundo o relato dessa pessoa, os rapazes estavam em uma motocicleta na Avenida Pablo Casals, na Vila Dalva, Zona Oeste, quando foram abordados por PMs fardados em um Gol vermelho. No depoimento, consta que os policiais desceram atirando.
Já no boletim de ocorrência, os PMs alegam que houve perseguição e, na garupa, Ricardo teria atirado. Outras quatro testemunhas estiveram no DHPP.
Outro carro particular teria chegado ao local do crime com mais PMs fardados. Trinta minutos depois uma viatura teria aparecido e, de acordo com as testemunhas, houve um acordo para que a ocorrência fosse “arredondada”.
Os rapazes foram baleados por volta das 2h30, mas o caso só foi comunicado à Polícia Civil às 9h23. As cinco testemunhas contam que cada um deles foi baleado uma única vez. Mas, ao darem entrada no Hospital, César chegou morto com cinco tiros e Ricardo tinha três balas no corpo. Ele morreu na manhã seguinte.
Na versão dos PMs, César perdeu o controle da motocicleta durante a perseguição e caiu. A moto, que é zero-quilômetro, está apreendida no 14 DP (Pinheiros) sem dano algum.
César e Ricardo eram melhores amigos desde os 7 anos. Naquela noite, estavam no estúdio de tatuagem do primo de César e voltaram durante a madrugada porque Ricardo trabalharia no domingo de manhã. “Vi meu filho no IML e ele estava com os olhos arregalados. Tenho certeza de que morreu assustado, sem entender o motivo”, diz Daniel Eustáquio de Oliveira, pai de César. Ele tatuou o rosto do filho no braço com a declaração “meu herói”.
Diário de SP
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