Prefeito não pode dizer que recebeu 'herança maldita', diz ACM Neto

Redação


Antigo conjunto habitacional com população de mais de 600 mil habitantes e dividida em setores que vão do "2" ao "11", o bairro de Cajazeiras, em Salvador (BA), seria capaz de decidir uma eleição municipal. O vínculo da campanha de Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM) vai além: a pedra fundamental que criou a localidade foi lançada nos anos 1980 por seu avô, o então governador ACM, patriarca da linhagem política que ficou conhecida como "Carlismo" e hoje é encabeçada pelo parlamentar do Democratas. Ele definiu o bairro como "coração da região central".

Conhecida por "delegata" devido aos atributos físicos, a candidata a vereadora Patrícia Nuno definiu a agenda como uma "demarcação de território". "Precisávamos marcar território em Cajazeiras. Fora um ou outro gato pingado que ficou indiferente, todos acenaram", disse.

Mal saíra a carreata uma senhora idosa se colocou na frente da camionete que levava candidatos da coligação "É hora de defender Salvador" (DEM, PSDB, PPS, PV e PTN). "Me deixa subir, p..., ele está me chamando!", gritava Eunice Ribeiro Costa, 75 anos, enquanto esticava o braço na direção de Neto, procurando encostá-lo. Deixada para trás na carreata, dona Eunice conseguiu alcançar o deputado durante a caminhada. "Acompanhei o avô em vida. Deus o tenha. E acompanho ele (ACM Neto) em todas as campanhas. Estou aqui pelo amor e não estou ganhando gratificação", afirmou.

Questionada sobre por que gostava político, a costureira faz elogios ao caráter e atuação do parlamentar. "Quando ele foi para federal em Brasília abriu o jogo, das maracutaias." Sob sol forte e mais de 30°C, Eunice acompanhou Neto pelas ruas de chão batido e contribuiu com o assédio de celebridade dado ao candidato, que visitava casas e distribuía cumprimentos vertiginosamente.

Alianças
ACM Neto declarou que não renega o capital político herdado, mas que o momento é outro, o que procura provar em alianças com antigos rivais do avô. "Tenho orgulho dos exemplos do passado. É claro que o nome tem peso, a história tem peso, os serviços que ACM prestou à Bahia e Salvador contam. Ele ofereceu o desenho da cidade que Salvador tem hoje. Mas pretendo me aliar com pessoas que sempre estiveram na oposição, como o PV, da vice Célia Sacramento e o PPS, o PSDB de João Almeida e (Antônio José) Imbassahy entre outros, mostrando que o momento é outro, de olhar para o futuro", disse.

Reconhecendo a carência de liderança na cidade, ACM Neto afirma que não será permitido ao próximo prefeito atribuir à "herança maldita" - termo consagrado por políticos que justificam maus resultados culpando o antecessor - os problemas da cidade, que de acordo com ele "todo mundo conhece". O governo estadual de Jaques Wagner (PT) atribui o maior desgaste que teve em seis anos com as greves de professores e da Polícia Militar à herança de arrocho salarial do setor público recebida do anterior Paulo Souto, do mesmo DEM de ACM Neto.

O deputado declara ter o cuidado de não fazer promessas inviáveis para não comprometer ainda mais a credibilidade da classe poítica. "Em função dos últimos anos e dos problemas acentuados que a cidade vive, as pessoas vivem um momento de pouca esperança. Isso, de certa maneira, atinge toda a classe política. Você percebe um grande número de pessoas que sequer são capazes de confiar que alguém possa mudar a realidade", afirmou. "Tenho tido cuidado de não prometer o que não posso cumprir para não aumentar o nível de desesperança das pessoas ou uma futura frustração", destacou.

Campanha na escola
Se eleito, ACM Neto afirmou que a primeira medida seria o corte de gastos com funcionários terceirizados para garantir a verba de medidas emergenciais. "Rever contratos, reduzir o peso dos gastos correntes nas contas da prefeitura, diminuir em prestação de terceiros e pagamentos a pessoas jurídicas em 30%. Determinar que 30% dos cargos de confiança não poderão ser ocupados. Isso feito, vamos tapar buracos, limpar as ruas, melhorar iluminação, qualificar guarda municipal, intervir na saúde e implantar sistema de trânsito inteligente", enumerou.

No afã de se eleger, ACM Neto visitou até escola particular, falando para crianças de 11 a 17 anos - a maioria das quais ainda não vota. Durante seu discurso, lembrou do começo da trajetória política como candidato a síndico-mirim de seu prédio. "Estudar às vezes é chato, mas é muito importante e vocês terão saudade", garantiu.

Terra

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