Economia & Negócios / Agronegócios
Safra 2013/2014 de cana-de-açúcar pode ser de 580 milhões de toneladas
Redação
Com o fim das atividades na maior parte das usinas da região Centro-Sul (cerca de 50 usinas continuarão moendo até às vésperas do Natal), a União das Indústrias da Cana-de-Açúcar (Unica) já começa a projetar a próxima safra de cana-de-açúcar (2013/2014), que começa oficialmente no início de abril. Segundo os especialistas da entidade, se o clima continuar estável - com chuvas e incidência de sol - como neste mês de dezembro, a próxima temporada pode bater na casa das 580 milhões de toneladas de cana.
Os dados foram apresentados na manhã desta última quinta feira (20), na sede da Unica, em São Paulo. A atual safra fecha o ano com 532 milhões de toneladas.
Segundo Luis Antonio Dias Paes, gerente agrícola do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), entidade ligada à Unica, a produtividade dos canaviais também tende a aumentar no próximo ciclo, chegando perto dos índices que o Brasil tinha nos anos 2004 e 2005. De acordo com seus cálculos, é provável que a produtividade seja 8% superior em relação a atual safra, que ficou com a média de 74,3 toneladas por hectare.
"Em algumas regiões isoladas, detectamos índices de produtividades mais elevados", diz ele, citando que na região de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, foi possível obter 88 toneladas de cana por hectare e em Piracicaba, 81,7 toneladas por hectare. Segundo ele, o ideal é que toda a média da região Centro-Sul seja próxima de 85 toneladas por hectare.
Para a próxima safra, as queimadas devem cessar por completo. Antonio de Pádua Rodrigues explica que, no Estado de São Paulo, por exemplo, o próximo ano é o limite para que as usinas se adequem à mecanização, nas áreas planas. "A tendência deve ocorrer em toda a região Centro-Sul e não apenas no Estado de São Paulo. Regiões como Mato Grosso do Sul e Goiás têm fábricas novas, que já nasceram mecanizadas", explica.
Nestes Estados, o índice de mecanização observado até novembro foi de 90% e 87%, respectivamente. Já nas principais regiões de São Paulo, Ribeirão Preto, Piracicaba e Araçatuba, os números são 94%, 78% e 90%. "Em seis anos, quatro milhões de hectares plantados com cana-de-açúcar foram mecanizados", diz.
De acordo com a Unica, esta mecanização implicou em 3.4 mil máquinas colhedoras, 13.6 mil transbordos, 6.8 mil tratores reboque e 5.7 mil caminhões a mais no campo. E ainda de acordo com o levantamento da entidade, 1,3 milhão de hectares foram renovados ou recuperados entre os anos de 2010 e 2012, o que implica em investimentos na ordem de R$ 6,6 bilhões.
Desafio continua
Na manhã de quinta feira também foi apresentada oficialmente a presidente executiva da Unica, Elizabeth Farina, que tomou posse no último dia 30 de novembro. Farina chega em um momento em que o setor está saindo de uma crise, provocada por consecutivas safras de clima adverso, muita chuva em 2009 e estiagem severa em 2010 e 2011, mas disse estar muito animada com o novo desafio. "A Indústria da cana é uma boa causa, se não fosse para ter um belo desafio à frente, eu não estaria aqui", disse a executiva, que é economista e atuava na carreira academia havia 32 anos.
"O meu desafio de curto prazo é continuar este processo de retomada de investimentos do setor, promover ações coletivas que deem segurança ao investidor. Temos perspectivas excelentes, tanto no mercado interno como no externo. A demanda é grande, mas há riscos e precisamos aponta-los", diz.
No próximo ano, Farina vai continuar a batalha para equilibrar os preços do etanol com os da gasolina. "Hoje, em São Paulo, o consumidor paga 19% de impostos. Em outros Estados, paga-se 31% de impostos", afirma, lembrando que em São Paulo, o ICMS imposto estadual é reduzido para 12% e nos outros Estados, esta taxa é de 25%, exceto Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.
Nesta semana, o ministro da Fazenda Guido Mantega também anunciou que o preço da gasolina vai subir. Não deu sinalização de quando isso vai acontecer, mas espera-se que ocorra ainda no primeiro semestre. Com isso, o governo também sinalizou que o índice de etanol anidro adicionado ao combustível fóssil também vai aumentar, de 20% para 25%. Espera-se a mudança para o dia 1º de junho.
Famasul
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