Veja o antes e o depois dos fanfarrões do tráfico


Os chefões do tráfico do Rio gostam de ostentar o luxo conquistado à custa da venda de maconha, cocaína e crack. Quando livres, os traficantes abusam das regalias que o dinheiro sujo pode comprar, como mansões, joias, carros importados e até barcos. As “primeiras-damas” do crime não ficam atrás. Do silicone nos seios a sessões em clínicas de estética, elas tiram uma “casquinha” da fortuna dos maridos para repaginar a aparência. Mas, atrás das grades, os criminosos e suas parceiras trocam a altivez que esbanjavam nos becos das favelas pela cabeça baixa e o uniforme verde da Seap (Secretaria Estadual de Administração Penitenciária).

Nando Bacalhau - Chefe do tráfico no morro do Chapadão, zona norte do Rio, Nando Bacalhau, foi preso em um apartamento de classe média, em Guarulhos, São Paulo, em outubro passado. O traficante estava com seu braço direito, o SL do Chapadão. Ao lado dos comparsas, Bacalhau gostava de exibir joias de ouro e frequentar bailes funk.

Fábio Atanázio da Silva, o FB, chefiava o tráfico na Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, zona norte do Rio. No comando da favela, FB desfilava com roupas de marcas famosas e joias penduradas no pescoço. Em janeiro deste ano, o traficante, que reapareceu com uma vasta cabeleira, foi preso enquanto curtia a cidade de São José dos Campos, no interior de São Paulo. Antes de ser transferido para presídio federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, FB perdeu as madeixas conquistadas em anos de impunidade e passou a usar o uniforme verde da Seap (Secretaria Estadual de Administração Penitenciária).

Depois de FB, foi a vez da mulher dele, Flávia dos Santos Lima, conhecer a dura realidade do xadrez. Loira siliconada, Flávia estava com os cabelos mais escuros e com uma roupa discreta quando foi apresentada pela Polícia Civil em março passado. De cabeça baixa, a “primeira-dama” de FB nem de longe lembrava a mulher exuberante, que gostava de exibir as joias e a boa forma em rodas de samba. Flávia, que responde a processos por associação ao tráfico e lavagem de dinheiro, hoje aguarda o julgamento em liberdade.

Chefe do tráfico da Rocinha, Antônio Bonfim Lopes, o Nem, gostava de promover churrascos em sua mansão com piscina no alto da comunidade da zona sul do Rio. Ao lado da mulher Danúbia, o traficante estava sempre com cordões, braceletes e anéis de ouro. Preso às vésperas da ocupação da comunidade pelas forças de segurança, em novembro de 2011, Nem teve que dar adeus às mechas loiras no cabelo dias antes de ser transferido para o presídio federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Durante a ocupação da Rocinha, o Bope encontrou um álbum de fotos de Nem e Danúbia.

Mulher do Nem da Rocinha, Danúbia de Souza Rangel, ganhou a fama de “Xerifa” da favela da zona sul carioca em razão do poder do marido criminoso. Nos becos e vielas da comunidade, Danúbia ostentava penduricalhos cravejados de brilhantes. Vaidosa, a “Xerifa” gosta de posar para fotos. Em um álbum encontrado na mansão do casal, fotos mostram como Danúbia e Nem ostentavam luxo. Presa dias depois do companheiro, Danúbia não estava mais loiríssima como nas imagens antigas. Vestidos curtos e estampados deram lugar ao uniforme verde da Seap (Secretaria Estadual de Administração Penitenciária). Acusada de lavagem de dinheiro e associação ao tráfico, Danúbia foi solta e inocentada em março do ano passado.

Em outubro de 2011, Alexander Mendes da Silva, o Polegar, chefe do tráfico do morro da Mangueira, zona norte, foi preso no Paraguai. O traficante foi capturado no momento em que comprava dois carros avaliados em R$ 250 mil com dinheiro vivo.

O traficante Lúcio Mauro Carneiro dos Passos, o Biscoito, sempre aparecia com cordões e anéis de ouro nos bailes funk na quadra da Mangueira, zona norte do Rio. O criminoso agia na comunidade e fugiu durante a ocupação da favela, em junho do ano passado. Preso dois meses depois, Biscoito estava com uma das pernas engessada e acompanhado de um par de muletas. Ele também era um dos chefões do morro do Cajueiro, em Madureira. No Jacarezinho, atuava como um dos gerentes do tráfico. Segundo a polícia, ele ainda é apontado como um dos suspeitos de assassinar um diretor do presídio Bangu 3.

Preso em uma fazenda de café no interior de Minas Gerais, em abril de 2009, Marcio da Silva Lima, o Tola, comandava o tráfico de drogas na favela Vila Aliança e no Complexo de Senador Camará, zona oeste. Além dos tradicionais cordões de ouro, as tatuagens e a camisa do Flamengo também eram a marca registrada do traficante. Quase careca e mais gordo, Tola não gostou de posar para as lentes dos fotógrafos que acompanharam a sua apresentação na Delegacia de Mem de Sá (5ª DP).

Em 2008, Saulo de Sá Silva, o Saulo da Rocinha, um dos maiores fornecedores de cocaína do Rio, foi preso na cidade de Maragogi, em Alagoas. Ele levava uma vida de luxo, com direito a viagens de lancha em praias paradisíacas. A polícia chegou até Saulo depois que sua mulher, Bibi Perigosa, postou fotos das viagens do casal no site de relacionamento Orkut.
 

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