O imóvel onde até janeiro do ano passado funcionou a Junta Militar de Dourados, uma casa localizada na Rua Onofre Pereira de Mattos, no centro comercial da cidade está abandonado e, conforme comerciantes, trabalhadores e moradores da região virou abrigo para viciados em drogas e até esconderijo de ladrões e produtos furtados. Sempre que existem denúncias, a Polícia Militar tem feito incursões pelo local na tentativa de manter a segurança para os vizinhos. A última ação policial ocorreu no final da tarde de anteontem, mas não havia nenhuma pessoa no interior. Dezenas de objetos, inclusive um quadro de Duque de Caxias, patrono do Exército Brasileiro, foi deixado para trás na mudança.
No chão de um dos cômodos também foram encontrados abandonados diversos documentos, inclusive alistamentos militares, com fotografias e cópias das impressões digitais dos requerentes. Também foram encontradas diversas fotocópias de carteiras de identidade, CPF e registros de nascimentos, que foram deixados no local depois que a casa foi desocupada. O fato preocupou o Cabo Da Silva, da Polícia Militar, que comandou a incursão dos policiais ao local. “Eu tenho aqui em mãos alguns documentos que contém RG, CPF, nome das pessoas, dados, inclusive com endereço de pessoas que serviram o Exército e foram abandonados aqui”, afirmou Da Silva, durante a ação.
Apenas na manhã de ontem, depois que a imprensa local denunciou os fatos, um integrante da Junta Militar, foi ao local acompanhado de um ajudante e recolheu os documentos, que estavam espalhados por um dos cômodos há cerca de um ano. Conforme o ex-secretário da Junta João Batista Rodrigues, que comandava o órgão quando ocorreu a mudança da sede, a obrigação de recolher os documentos era do 1º Tenente do Exército Brasileiro Rubens da Silva Carlito, que atuava como delegado do Serviço Militar e deixou a função no início deste ano. No quartel da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada de Dourados, ninguém foi encontrado na tarde de ontem no setor de comunicação social para falar sobre o fato de documentos terem ficado jogados no local durante tanto tempo. De acordo com um atendente que atendeu a ligação telefônica, o expediente às sextas-feiras ocorre apenas no período da manhã.
Cracolândia
O imóvel está em péssimo estado de conservação, com muita sujeira e as paredes pichadas, com palavras de baixo calão e ameaças de morte e também indicando que o prédio é a ‘cracolândia’ da cidade. “Já foram atendidas aqui ocorrências de usuários de entorpecentes, principalmente o crack, que furtam e roubam na região e escondem aqui neste local”, acrescentou Da Silva. A situação também preocupa das pessoas que passam diariamente pela região. “Se está assim, então porque os proprietários não doam pra moradia de uma pessoa que precisa de uma casa para morar? Há muita gente precisando de casa, porque não tem onde morar”, afirmou a professora Sandra Gonçalves.
Correio do Estado
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