Associação aciona Ministério Público por crise no Hospital do Câncer

Dourados News


A vereadora e presidente da ACCGD – Associação de Combate ao Câncer da Grande Dourados Virigínia Magrini, protocolou no final da tarde de ontem (01) junto ao MPE - Ministério Público Estadual, uma ação por conta da crise que pode paralisar os novos atendimentos no Hospital do Câncer a partir de segunda feira (04).

A documentação – com extratos bancários, ofícios, balanços mensais e contrato entre o Hospital Evangélico, que administra o local e a Secretária de Saúde do município - será repassada ao promotor Ricardo Melo Alves, da 10ª Promotoria, que atende os direitos do Consumidor e Cidadania.

De acordo com a presidente da entidade, tudo está sendo realizado para que a unidade possa continuar o seu atendimento normal. Em caso de paralisação dos serviços, não é descartado um manifesto em frente ao hospital.

“O Hospital do Câncer foi construído com a ajuda da população e não acredito que deixará de atender os seus pacientes. Temos que achar os culpados e resolver essa situação. Caso paralise as atividades, vamos convocar a população para um manifesto”, disse.

Segundo ela, além da falta de respeito com o cidadão, existe também a necessidade de saber para onde vai o dinheiro público.

“Deve haver a cobrança e a responsabilidade. O dinheiro público está sendo depositado na conta e ninguém sabe para onde vai”, concluiu.

Ontem pela manhã, o deputado federal Geraldo Resende (PMDB) também se manifestou sobre o assunto. De acordo com ele, caso o hospital deixe de atender os pacientes, ‘baterá na porta da Justiça’.

“É inconcebível que isso aconteça [a paralisação de novos atendimentos]. Se precisar, vamos acionar a Justiça. As pessoas não podem ficar sem atendimento”, contou ao Dourados News.

A Crise
A crise envolvendo o Hospital do Câncer e o Hospital Evangélico veio à tona na quarta-feira da semana passada, 23, após o Dourados News divulgar que o setor de oncologia, administrado pelo HE, poderia paralisar os atendimentos pela falta de repasses financeiros.

No dia seguinte, Virgínia Magrini se reuniu com integrantes da diretoria do Hospital do Câncer e disse que acionaria o MPE (Ministério Público Estadual), alegando falta de respeito com os pacientes em tratamento, o que aconteceu nesta sexta-feira.

Um dia após a reunião, a unidade recebeu um repasse de aproximadamente R$ 243,5 mil por parte do Hospital Evangélico, dando condições na continuação no tratamento até o término de janeiro.

Porém, na tarde de quinta-feira (31), os médicos decidiram em não receber novos pacientes à partir de segunda-feira (4). De acordo com o diretor do HC, Mário Eduardo Rocha, a dívida é referente aos meses de setembro (parcial), outubro e novembro e chegava aos R$ 800 mil.

Ainda na quinta, assessoria de imprensa do HE entrou em contato com o Dourados News, alegando que o dinheiro vem sendo repassado ao setor que trata o câncer, mas de forma ‘escalonada’.

O hospital também garantiu que não faltam remédios para os pacientes e que existe um contrato que deverá ser cumprido, entre o HE e a empresa Centro de Tratamento de Câncer de Dourados, onde Mário Eduardo é sócio [segundo a assessoria], para a prestação de serviço de atendimento às pessoas em tratamento.

A prefeitura de Dourados afirmou que todos os repasses provenientes das esferas federal, estadual e municipal, estão sendo realizados para a entidade que administra o HC.

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