Aumentou para cinco o número de manifestantes detidos na tentativa de desocupação do antigo Museu do Índio, no Maracanã, na Zona Norte do Rio de Janeiro, nesta sexta feira (22). Durante a madrugada, três manifestantes, todos estudantes, tinham sido detidos. Por volta das 9h30, o clima ficou tenso novamente e duas pessoas acabaram levadas pelos policiais.
O advogado Arão da Providência, que diz ser irmão de um dos índios que vive no prédio, pulou o muro para falar com os indígenas. Ele foi repreendido por policiais militares do Batalhão de Choque, contido com uso de força e levado para o camburão. A manifestante Mônica Bello também foi detida após discutir com os PMs.
A polícia usou spray de pimenta e gás lacrimogênio para conter o tumulto. O prédio, que dará lugar ao Museu Olímpico, foi cercado durante a madrugada por mais de 50 PMs, com motos e carros. Um helicóptero da PM sobrevoa a área.
Nesse momento, a negociação com os índios foi retomada. De acordo com o representante do movimento, Afonso Apurinã, dez pessoas saíram do local e aceitaram o acordo proposto pelo governo. No entanto, segundo o líder, 50 indígenas ainda resistem em deixar o imóvel.
Às 10h25, o Batalhão de Choque desfez o cerco ao antigo museu. Os policiais entraram nos carros, que estão estacionados em frente ao imóvel, e aguardam a saída dos índios.
Entenda o caso
A polêmica sobre o destino do espaço começou em outubro de 2012, quando o governo do estado anunciou mudanças no entorno do Maracanã, para que o estádio pudesse receber a Copa das Confederações, em 2013, a Copa do Mundo, em 2014, e a Olimpíada, em 2016.
Pelo projeto da Casa Civil, o Maracanã seria transferido para iniciativa privada, que deveria construir um estacionamento, um centro comercial e áreas para saída do público. Para isso, alguns prédios ao redor do estádio deveriam ser demolidos, entre eles o casarão do antigo Museu do Índio, que funcionou no local de 1910 até 1978. O edifício com área de cerca de 1600 m² está desativado há 34 anos.
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