Nacional & Geral / Cotidiano
DH investiga se maior facção criminosa do Rio simulou morte de preso
Extra
A DH – Divisão de Homicídios investiga o homicídio de outro preso dentro do Instituto Penal Vicente Piragibe, no Complexo de Gericinó, desta vez por overdose de cocaína. Uma testemunha do inquérito que apurou a morte do traficante Eduíno Eustáquio de Araújo, o Dudu da Rocinha, relatou que a maior facção criminosa do Rio tem simulado o consumo excessivo da droga para matar nas penitenciárias, fingindo que o preso sofreu overdose. A "técnica" é chamada de sobro ou injeção letal.
De acordo com inquérito da DH, houve tentativa de usar a tática com Dudu, mas ele acabou sendo morto por esganadura. Além dos relatos da testemunha, policiais da especializada desconfiaram do fato de 11, dos 14 presos ouvidos, terem negado saber a causa da morte do traficante, e terem insistido que ele era usuário de cocaína.
Dudu da Rocinha durante audiência, no Fórum do Rio, em 2005 - Foto: Marcos Tristão/O Globo
A Divisão de Homicídios também vai apurar a participação dos traficantes Luciano Martiniano da Silva, Pezão, Luis Claudio Machado, o Marreta, e Anderson Rocha da Silva, o Russão, que estão foragidos e, de acordo com a principal testemunha do processo, teriam dado o aval, de fora do Complexo de Gericinó, para a morte de Dudu. Os três ainda não réus no processo que apura o crime, que tem 13 criminosos acusados. Marreta e Russão fugiram do Vicente Piragibe em fevereiro deste ano.
Transferência para fora do Rio
Dentro do complexo, de acordo com as investigações da DH, a ordem para a execução partiu dos traficantes Ronaldo Pinto Lima, o Ronaldo Tabajara, Charles Silva Batista, o Charles do Lixão, e Roberto de Souza Brito, o Roberto Metralha, presos em Bangu 3 e apontados como principais chefes da facção criminosa dentro das unidades prisionais. A solicitação foi feita por Murilo Almeida de Melo, o Gordão da VK, Marcos Aurélio de Moura da Silva, o Manguinho, e Adriano Soares de Jesus, o Montanha, que estão no Vicente Piragibe. A aprovação dos chefes foi dada por mensagem de texto no celular. Gordão, Manguinho e Montanha, junto com outros sete internos que estão na mesma unidade, foram os responsáveis por executar o assassinato de Dudu.
A promotora Valéria Videira Costa, da 21ª Promotoria e responsável pela denúncia por homicídio duplamente qualificado (por motivo torpe e à traição, emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa), pediu, no último dia 23, a transferência dos 13 acusados para presídios federais.
A morte de Dudu
Dudu foi morto na madrugada do último dia 8. Ele foi encontrado, já de manhã, desacordado em sua cela. Ele chegou a ser levado para uma UPA dentro de Bangu, mas já chegou na unidade morto. O traficante estava no Vicente Piragibe, unidade de regime semiaberto, desde 4 de maio de 2012, mas não ganhou o benefício e não podia sair da unidade prisional. Dudu foi preso em 2005, na noite de réveillon, quando chegava à Saquarema, na Região dos Lagos. Ele travou com Luciano Barbosa, o Lulu, uma sangrenta guerra pelo controle do tráfico na Rocinha. Lulu foi morto, em abril de 2004, durante uma operação do Bope na comunidade da Zona Sul.
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