Relojoeiro é acusado de dar calote de R$ 16 mil em padres

Uol


Dois padres do interior paulista procuraram a polícia nesta semana para dar queixa contra um relojoeiro que embolsou R$ 16 mil, mas não consertou os relógios das torres de três igrejas localizadas em Bocaina (298 km de São Paulo) e Nova Europa (317 km de São Paulo).

Para moradores de Nova Europa, as batidas do relógio da matriz eram uma tradição da cidade. O aparelho soava de meia em meia hora, e, às 18h, tocava a Ave Maria, segundo o padre Everson Cristiano Andrade do Prado de 31 anos.

"Venho sendo cobrado disso periodicamente pelos fiéis. Na missa de ontem eu pedi perdão à comunidade. Não podia imaginar que isso pudesse ocorrer. É uma situação muito constrangedora", afirmou o pároco. O serviço foi contratado no início de 2012.

"Por sugestão do prestador do serviço, resolvemos trocar o sistema analógico do relógio pelo digital. Toda vez que ligamos para reclamar, ele inventa uma desculpa e nos enrola ainda mais. Já são quase dois anos de espera."

As igrejas de Bocaina e Nova Europa contrataram o relojoeiro Luiz Carlos Zocca porque o pai dele consertou por muitos anos relógios de igrejas no interior paulista antes de morrer. O serviço é considerado especializado e escasso. "Era um profissional de muita confiança."

A matriz Sagrado Coração de Jesus desembolsou R$ 5.900 pelo trabalho. Depois de tanto reclamar, o profissional, que ainda está com o relógio, devolveu apenas o mostrador. "Foi para tapar o buraco na torre porque as pombas estavam entrando nele."

A paróquia de Bocaina pagou adiantados R$ 10 mil, em três parcelas, para "modernizar" dois relógios, há um ano. Os aparelhos, que quebravam constantemente, estavam nas igrejas São João Batista e Santa Luzia.

O pároco de Bocaina, André Zacheu, não foi encontrado nesta quinta-feira (15) para falar sobre o assunto, mas, à imprensa, ele declarou que o relojoeiro levou um carrilhão avaliado em R$ 40 mil para consertar. A peça não foi devolvida. O carrilhão é responsável pelo movimento dos ponteiros. "Estamos nos sentindo enganados."

Outro lado
A reportagem do UOL procurou Luiz Carlos Zocca para ele se manifestar sobre as acusações. Foi deixado recado na caixa-postal do telefone residencial dele, em Jaboticabal (342 km de São Paulo), mas o profissional não fez contato.

Zocca foi condenado pela Justiça de Santa Fé do Sul (625 km de São Paulo) em fevereiro deste ano a pagar R$ 17 mil por danos materiais à paróquia local. Segundo a sentença, o réu vendeu um microcomputador digital para reativar o relógio da igreja de São João Batista.

Ele recebeu R$ 9.000 pela venda. O aparelho, após ser instalado, apresentou defeito. Sob o pretexto de levá-lo para consertar, não foi devolvido à igreja. Além dos R$ 9.000, o relojoeiro ainda embolsou mais R$ 3.000 pela promessa de reparo do defeito.

Ele não se defendeu no processo e foi condenado à revelia.
 

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