Ciclista de Dourados é única mulher de MS a participar de prova de resistência em SP

Glaucia Piovesan


No último final de semana (5 e 6), a ciclista de Dourados, Lidiany Silva, esteve em Botucatu, interior do Estado de São Paulo, onde participou da prova Brasil Ride 24 horas, competição de mountain bike que exige muita técnica e resistência. O percurso total é de 11,6 quilômetros, mas a dificuldade maior é enfrentar até 313 metros de altitude, com trechos íngremes e muito sinuosos. O objetivo da prova é que o ciclista complete o maior número de voltas no circuito dentro do prazo de 24 horas. Em caso de empate no número de voltas, o critério de desempate é definido pelo aquele que terminar na frente, isto é, com menor tempo.

Somente 6 competidoras fizeram a prova individual. As demais mulheres disputaram as categorias de dupla, quartetos e sextetos. Lidiany foi a única mulher do Estado de Mato Grosso do Sul a enfrentar esse desafio na categoria individual, que aconteceu numa área conhecida como ‘Cuesta de Botucatu’, famosas por ser uma região de vales, mirantes, cachoeiras e picos, que podem ser explorados a pé ou de bicicleta a partir de trilhas.

Ainda com muitos hematomas nas pernas e os joelhos inchados, a atleta concedeu uma entrevista ao Jornal da Nova nesta segunda (7) e contou tudo sobre essa competição, que atraiu mais de 500 ciclistas de todo país. Com essa reportagem, o Jornal homenageia a todas as mulheres, que enfrentam desafios todos os dias, com muita disposição, coragem e capacidade, sem perder a sua essência de mulher.

A douradense Lidiany Silva decidiu participar da Brasil Ride 24 horas faltando apenas 20 dias para a competição. Para manter o ritmo dos treinamentos, ela chega a percorrer diariamente 60km. Participou da 2ª Ultra Maratona realizada em Nova Andradina no ano passado nos 250 km e já disputou provas em outros estados como PR e SP, além das competições do Estado de MS.

Lidiany Silva ficou em quarto lugar - Foto: Arquivo Pessoal

Por sua preparação física e dedicação aos treinamentos, Lidiany Silva disse que se sentia bem preparada para o desafio e resolveu arriscar. Será que ela conseguiu atingir seus objetivos? Veja o que Lidiany Silva fala sobre isso:

Como foi enfrentar 24 horas de prova, num percurso com muitas pedras, curvas, montanhas e frio?

Foi muito mais muito difícil do que imagina. Parei na sétima volta para colocar gelo no joelho, que estava inchado. Estava em segundo lugar na prova. Pensei em não voltar, mais daí disse: Tô aqui, vou lá. Fiz mais duas e na 9ª volta cai feio de novo num rio de pedras. Com muita dor continuei caminhando. Cheguei, fiz gelo, tomei analgésico e descansei. Em seguida, completei mais duas voltas com muita dor e parei, perdi posição. Fui para a pista, não dava, mas fui na marra. A dor era muita, foi difícil, no entanto, na manhã de domingo resolvi parar e não voltar. Terminei com quase 12 voltas.

No total, quantos quilômetros percorreu?

Foram quase 140 km. No percurso, mais trilhas. Os obstáculos eram raros, o que matava era a elevação. Tudo fica mais difícil. A pista é muito dura e demorei mais de uma hora para completar a volta.

Qual a sua maior dificuldade nesta prova?

Meus treinos acontecem na região de Dourados. Por ser uma cidade praticamente plana, esses desafios em maior altitude e clima diferente, prejudica o atleta que faz sempre o mesmo ritmo, as mesmas trilhas. Tudo é muito diferente. Também me faltou um pouco de técnica para saber cair e cuidar dos tombos, que são inevitáveis.

Local da prova tinha altitude elevada - Foto: Arquivo Pessoal

Qual o sentimento depois da prova? Você atingiu sua expectativa?

Eu perdi posições por erro de cálculo, por não respeitar o que planejei. A adrenalina é muita, eu estava bem e achei que dava para encarar. Fui na confiança, com 20 horas de prova resolvi pedir para encerrarem minha prova. Como fiz bom tempo no início, terminei em 4º lugar. A terceira colocada acabou por parar com 13 voltas. A quinta ficou na pista por 7 voltas. O ouro ficou com a atleta que fez 17 voltas e a prata conseguiu fechar com 15 voltas. Valeu a pena demais, foi emoção sem igual, nível de dificuldade além do que poderia imagina. Se juntar tudo que já fiz e somar não sei se dá o que senti nesta prova. Valeu muito a pena !!!

Qual o seu próximo desafio?

Estou pensando em voltar a “Cuesta de Botucatu” em maio.

Cobertura do Jornal da Nova

Quer ficar por dentro das principais notícias de Nova Andradina, região do Brasil e do mundo? Siga o Jornal da Nova nas redes sociais. Estamos no Twitter, no Facebook, no Instagram, Threads e no YouTube. Acompanhe!