Minerva prevê prejuízo em 2013 e retomada de lucro em 2014

Da Redação


A Minerva, terceira maior processadora de carne bovina do Brasil, estima que irá registrar novamente prejuízo em 2013, mas deverá fechar 2014 no positivo, disse nesta segunda-feira (9) um executivo da empresa, citando o câmbio desfavorável, que tem elevado as despesas financeiras da companhia.

A empresa fechou 2012 com prejuízo líquido de 199 milhões de reais, após lucro em 2011, e acumula prejuízo de 211,5 milhões de reais em 12 meses até setembro.

Em boa parte do ano, a empresa atribuiu os resultados negativos à desvalorização do real frente o dólar, que elevou os custos com dívida. A expectativa é de um quadro menos pressionado em 2014.

"Mesmo que o real desvalorize, a despesa financeira será menor que em 2012 e 2013, permitindo que a gente volte a ter lucro", disse o diretor financeiro Edison Ticle, em conferência com jornalistas, em São Paulo.

Recentemente, a Minerva anunciou acordo com a BRF no qual adquiriu duas unidades de bovinos. Já a BRF levou em troca 15 por cento de participação no frigorífico.

No acumulado dos três primeiros trimestres, a Minerva acumulou prejuízo de 190 milhões de reais.

Demanda forte

De olho numa expectativa de forte demanda, a empresa prevê investir 150 milhões de reais em 2014, ante 100 milhões em 2013, disse Ticle. O montante inclui 100 milhões de reais em investimentos para manutenção das operações.

Os 50 milhões de reais restantes serão usados para a ampliação da unidade de processados, a Minerva Fine Foods (MFF), reforçando estratégia da companhia de também investir no segmento de mais valor agregado.

A Minerva estima firme demanda interna, que corresponde a cerca de 30 por cento das vendas da companhia, e aponta um cenário favorável no mercado externo graças ao câmbio que ajuda nas exportações.

Além disso, o presidente da Minerva, Fernando Galletti Queiroz, ressaltou que o Brasil ainda deve ser favorecido em 2014 e 2015 nos mercados externos, por conta da diminuição de oferta de animais para abate e da produção de carne em importantes concorrentes.

Segundo o diretor financeiro, esta restrição em países concorrentes ainda permite que a empresa reajuste os preços nos mercados externos.

A Minerva é a segunda maior exportadora na área de carne bovina do Brasil, atrás da JBS.

Neste cenário, estão os embarques para os mercados em desenvolvimento, como no Sudeste Asiático e Ásia, e também com mais vigor em países desenvolvidos.

"O poder de precificação da Minerva cresce dada a diminuição de oferta em países concorrentes", disse Ticle. "É favorável para, no mínimo, manter as margens da companhia."

A margem Ebitda (Lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) --indicador operacional-- da Minerva ficou em pouco mais de 10 por cento em 2012.

Mesmo com o crescimento puxado pela boa demanda, a companhia estima que não vê necessidade de ampliar a capacidade instalada.

Atualmente, com as 11 plantas que a companhia tem, são usados 77 por cento da capacidade instalada. Mas a empresa ainda deve incorporar mais duas plantas em Mato Grosso, adquiridas recentemente da BRF, em operação que ainda depende do aval do órgão antitruste (Cade).


Reuters

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