Governo gasta R$ 21 mi em armas com defeito


O Governo do Estado de São Paulo gastou 21 milhões em 5.931 submetralhadoras SMT-40 que nunca foram usadas e estão paradas desde 2011, por apresentarem problemas no funcionamento. As armas foram compradas da indústria Taurus para serem usadas pelos homens do COE (Comando e Operações Especiais) da Polícia Militar.

O caso veio à tona durante uma sessão na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), na tarde desta quarta-feira (27), na qual a Comissão de Segurança Pública e Assuntos Penitenciários convocou fabricantes e distribuidores nacionais de armas e munições para as polícias do Estado, após diversos relatos de mau funcionamento do equipamento, como quebra do cano durante o disparo, travamento da arma, disparos sem o acionamento do gatilho e rajadas de tiros involuntárias. Os problemas estariam, de acordo com os deputados, causando ferimentos e até levando policiais à morte.

Entre os deputados presentes estava o coronel Camilo, que foi o responsável pela compra das submetralhadoras que apresentaram defeito. Na época da compra das armas, o coronel estava à frente do comando da PM. De acordo com o deputado, foram compradas e testadas 900 unidades que não apresentaram falhas. Porém, ao adquirir as outras mais de 4.000 armas foram constatados problemas no funcionamento, como a quebra do cano na hora do disparo. O deputado afirmou que deixou o comando da corporação durante o andamento da resolução do problema.

O vice-presidente da CBC (fabricante de munições, hoje responsável pela Taurus), Sélesio Nuhs, apresentou defesas e explicações de forma confortável, uma vez que a CBC responde pela Taurus há apenas nove meses.

“Propomos a troca dessas submetralhadoras que apresentaram defeito por modelos de arma 9 milímetros que custam mais barato, portanto o Estado irá receber uma quantidade maior de equipamentos. As novas armas já foram testadas pela polícia”.

A reportagem não teve acesso à informação sobre o andamento da tratativa entre a Taurus e o Governo do Estado de São Paulo na suposta negociação da possibilidade de troca do armamento.

Apesar da contrapartida oferecida pela empresa, o deputado Orlando Morando, responsável pelo requerimento na Alesp, questionou o que chamou de má gestão do dinheiro público.

“Não temos dinheiro para nada no Estado, mas temos 21 milhões em armas paradas. É um dinheiro que nunca serviu para nada”.

Recall de pistolas

O vice-presidente da CBC assumiu que há falhas nos equipamentos e afirmou que foi feito um recall em quase 100 mil pistolas 24/7 da Polícia Militar nos últimos meses. Entretanto, não soube dizer qual o percentual de armas apresentou defeito.

“Sabemos que a Taurus teve problemas e não soube lidar com eles”.

O deputado Gil Lancaster chamou atenção para os acidentes que, segundo ele, já levaram policiais e civis à morte.

“Queremos que a Taurus apresente relatórios de qualidade e que policiais e a sociedade parem de pagar o preço pelas falhas de outros”.

Apesar de não haver relatos de casos, a Imbel, empresa estatal e federal que também fornece armamento para a polícia, foi chamada para a reunião. O porta-voz, o major engenheiro Renaldo Gonzaga, afirmou que a empresa está à disposição para solucionar os casos que envolvam a qualidade de seu produto.

Procurada, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) não se manifestou sobre o caso. 

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