Banda Marcial Municipal Getúlio Vargas comemora 33 anos de história

Trilhas sonoras com clássicos nacionais e internacionais marcam o repertório da tradicional Banda Marcial Municipal Getúlio Vargas, que completou 33 anos de fundação no dia 3 de julho. Nessas três décadas, diversas gerações passaram pela corporação

Glaucia Piovesan


Desde a sua concepção, a Banda Marcial Municipal Getúlio Vargas teve a finalidade de promover e difundir a cultura musical como instrumento de transformação social. A sua história teve início na gestão do prefeito Getúlio Gideão Bauermeister, em 1982, que convidou Atila Rodrigues Falcão, que até então havia fundado várias corporações musicais, na cidade de Três Lagoas, como a Guarda Mirim e a Banda Marcial Cristo Redentor.

O convite foi aceito e, a princípio, foi instituída a Guarda Mirim, com cerca de 400 crianças e adolescentes. Criada como uma entidade paramilitar desenvolvia atividades de recreação, instruções disciplinares visando à formação de adolescentes e jovens para o mercado de trabalho. Além do estímulo aos estudos, começaram também os trabalhos de instrução musical, tendo-se em vista a criação da futura banda de música, que viria a ser instituída no ano seguinte, mais especificamente no dia 3 de julho de 1983, composta de alunos desta instituição.

Caracterizada como “Banda Marcial” por sua natureza paramilitar, a corporação possuía os seguintes instrumentos de sopro: Agudos: Trompetes. Graves: Trombones, Bombardino, Sousafone, Instrumentos de Percussão: Bombo de lata, Caixa de guerra, Pratos, Atabaques, Surdo Médio e Surdo Mor. Instrumentos de teclas: Lira com 25 teclas. Possuía também um pavilhão cívico de bandeiras, contendo as bandeiras: Nacional, do Estado de Mato Grosso do Sul e de Nova Andradina, e uma guarda de honra composta de três componentes que acompanhava o pavilhão que naquela época, eram denominados de escolta.

Banda GV e a Guarda MIrim em 1984 - Foto: DivulgaçãoAtila Rodrigues Falcão, foi o primeiro comandante geral da corporação, vieram também Amaury Nunes de Carvalho, Altamiro Gomes, como instrutores que seriam os responsáveis diretos pela implantação da Guarda Mirim e posteriormente da Banda. Os primeiros treinamentos foram oferecidos no recinto do então Estádio Municipal Durval Andrade Filho, o Andradão.

Em 1992, a banda recebe novos uniformes, instrumentos e passa a se apresentar nas solenidades cívicas, desfiles comemorativos, passeatas, bem como em eventos e outras localidades. Em março do ano 2001, começo de uma nova gestão municipal, a Banda Marcial Getúlio Vargas é reativada e reestruturada com uma das atividades do o Peti (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil), os alunos que estavam em situação de vulnerabilidade social, eram encaminhados aos projetos sociais para que fossem contemplados com aula de reforço e acompanhamento escolar, bem como de atividades lúdicas e recreativas, em jornada contrária ao período regular de ensino.

Além das atividades de musicalização através de aulas teóricas e práticas, eram oferecidos aos participantes o acompanhamento escolar, alimentação balanceada, uniformes, atividades recreativas e esportivas, aulas de coreografias e danças, proporcionando a inclusão social através de ações que promoviam a cidadania e o bem estar social.

Em 15 de Dezembro de 2001, sob a regência do maestro Edson Dias Pinheiro, a Banda Marcial Getúlio Vargas participou do XI Concurso de Bandas e Fanfarras, na cidade de Dourados, promovido pela Funced (Fundação Cultural e de Esportes), consagrando-se vice-campeã.  Nessa nova fase, os trabalhos de musicalização no município deram início à uma jornada de apresentações, já que a famosa e carinhosamente apelidada de “GV” (Getúlio Vargas) estava atuando no cenário musical no Estado de Mato Grosso do Sul e outros Estados.

Descobrir e estimular os talentos de jovens iniciantes e experientes são os segredos de sucesso da Banda. As apresentações mesclam músicas contemporâneas, clássicas e populares. Além dos instrumentos musicais, a Banda é composta de balizas, balizadores, Mor de Comando e o Corpo Coreográfico.

Oficina de musicalização em 2014, quando a Banda recebeu R$ 45 mil da Fundação de Cultura do Estado de MS - Foto: Divulgação

Nestes anos, a Banda Marcial conquistou espaço de destaque e carisma por onde passou, sempre com apresentações de qualidade e bom gosto seja qual for o gênero. Além dos 103 troféus e inúmeros títulos, conquistou a credibilidade e respeito no meio musical no cenário nacional no segmento de bandas e fanfarras. O mais importante, levando a bandeira do Município de Nova Andradina.

Considerada uma das corporações mais tradicionais no Estado de Mato Grosso do Sul, a Banda tem títulos importantes em sua galeria, com destaque para Tri-Campeã da Alta Sorocabana, em Presidente Prudente (SP), em 1986, e Campeã do VIII Concurso Nacional de Bandas e Fanfarras, realizado em Campo Grande, em novembro de 2006, Campeã Estadual na Categoria Infanto Juvenil em 2010 em Campo Grande, Campeã Geral Juvenil na Cidade de Santa Fé (PR) em 2011, Campeã Geral Juvenil na Cidade de Rolândia (PR) em 2011. Quarto Lugar como Corpo Musical no Campeonato Nacional em Presidente Prudente (SP) em 2012, com o segundo melhor Mor de Comando do Brasil, obtendo o segundo lugar.

Banda Marcial Municipal Getúlio Vargas - Foto: Divulgação

Atualmente, a banda está vinculada à Semcias (Secretaria Municipal de Cidadania e Assistência Social), em parceria com a Semec (Secretaria Municipal de Educação e Cultura), tendo como regente o maestro Edson Dias Pinheiro, uma equipe de instrutores, inspetores e auxiliares. A rede de atendimento do município com CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), dão o suporte para o acompanhamento dos trabalhos. A Semec, além de proporcionar o transporte dos alunos, elabora projetos em parceria com a Semcias, para que sejam possíveis as aquisições de instrumentos, acessórios, cursos de capacitação e provisão dos recursos necessários à manutenção da Banda. Participam atualmente da banda 160 integrantes, crianças e adolescentes oriundos dos Programas sociais e da comunidade, onde são oferecidas atividades de musicalização, recreação e lazer.

Vale ressaltar que desde o ano de 2001, os gastos da são geridos e custeadas 100% pelo Governo Municipal. Uma bolsa auxílio – o Bolsa Banda - foi instituída também pelo poder público, onde os alunos recebem o valor de 2,5 UFM’s (Unidade Fiscal do Munícipio), que em valores reais somam R$ 114,85.

Integrantes da Banda Marcial Municipal Getúlio Vargas - Foto: Divulgação

Pela sua trajetória, a Banda é motivo de orgulho para Nova Andradina, pois tem se mostrado um celeiro de músicos fazendo a diferença na vida de pessoas que conseguiram sucesso pessoal e profissional por meio das ações culturais e sociais oferecidas neste projeto. Desse trabalho de musicalização, é possível visualizar ainda como resultado positivo o ingresso de músicos nas forças oficiais como o Exército, músicos nas igrejas, músicos e cantores no município e em outras localidades.

Parabéns a todos aqueles que nessas três décadas vestiram a farda, marcharam, e com força entoaram o grito de guerra: “Getúlio Vargas! Uouuuuuuuuu”.

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