''Trabalhar na fronteira não é fácil'', diz militar que deixa comando do B Log

Da Redação


Após dois anos no comando do 28º B Log (Batalhão Logístico) da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, sediada em Dourados, o tenente coronel Marcos Marques Pinto deixa o posto em cerimônia de troca de comando que acontece na sexta-feira (24).

A partir do dia 24 de fevereiro o militar assume, em Brasília, um posto dentro do Comando de Operações Terrestres. No lugar de Marques Pinto, entra o também tenente coronel Alexandre José Dornelas, vindo da Eceme (Escola de Comando e Estado Maior do Exército), sediada no Rio de Janeiro.

De saída, o tenente coronel falou ao "Dourados News" sobre o trabalho executado ao longo do período em que comandou o B Log, que também é parte estratégica importante dentro do processo de implantação do projeto piloto do Sisfron (Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras).

Para Marques Pinto, a missão que é dada a todo militar que assume um posto de comando, de entregar o batalhão melhor do que recebeu, foi plenamente cumprida durante o tempo em que ele esteve em Dourados. Os principais motivos foram os investimentos realizados principalmente na infraestrutura da unidade de logística, que otimizaram o processo gestão.

“Estou passando o batalhão melhor do que recebi, e fico tranquilo em ter ciência de que a minha missão aqui foi bem cumprida. Desenvolvemos muitas coisas que serão fundamentais em ações futuras dentro do batalhão, e fico muito feliz em deixar ao meu sucessor um projeto de continuidade muito bom”, disse o tenente coronel. Confira a entrevista completa:

Dourados News – Como chegou ao comando do B Log em Dourados?

Marques Pinto – Anteriormente, eu estava como assessor de comunicação e educação física da CMBP (Cooperação Militar Brasileira no Paraguai) e dava aulas nas escolas militares do Paraguai, onde fiquei por dois anos, entre 2010 e 2011. Meu comando em Dourados iniciou-se no dia 3 de fevereiro de 2012.

D.N – Qual a missão do 28º B Log dentro da área de abrangência da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada?

M.P – A nossa missão é prestar todo o apoio logístico necessário para a área de comando da Brigada Guaicurus, por meio do trabalho das Companhias Logísticas de Manutenção, Suprimento, Saúde, e a Companhia Logística de Comando e Apoio. A 4ª Brigada possui organizações militares subordinadas em Ponta Porã, Amambai e Bela Vista com o 3º Regimento de Cavalaria Mecanizada; o 1º Regimento de Cavalaria Blindado de Campo Grande, o Grupo de Artilharia de Campanha de Nioaque, a Companhia de Engenharia de Combate Mecanizada de Jardim, além da organização em Dourados, composta pelo 28º Batalhão de Logística, a 14ª Companhia de Comunicação Mecanizada, o Esquadrão de Comando, e o 4º Pelotão de Polícia do Exército.

D.N - Dentro da sua gestão, houve a implantação do Projeto Guaicurus. Como funciona esse trabalho?

M.P – O projeto teve início em 2010 depois que houve um convênio entre Brasil e Paraguai para que fizéssemos a revitalização de veículos blindados paraguaios aqui na Brigada. Foram 40 veículos do Paraguai recuperados de 2007 a 2009, e neste período, os blindados da nossa Brigada não tiveram mão de obra disponível para a manutenção e revitalização. Por isso, resolvemos implantar o Projeto Guaicurus, com a revitalização contínua de pelo menos 10 blindados por ano. Conseguimos recursos em Brasília, e implantamos o trabalho, que aumenta a durabilidade da viatura em até cinco anos, que é quando ela terá de passar por uma nova reforma. Isso foi excelente para o batalhão. Temos 63 blindados na Brigada, e até agora já revitalizamos 30.

D.N - Neste fim de comando, como fica o andamento desse e de outros projetos que serão assumidos pelo seu sucessor?

M.P – Além da continuidade do Projeto Guaicurus e também de outras iniciativas para melhorias na infraestrutura do batalhão, teremos também para este ano, com trabalhos que devem começar no fim de março ou início de abril, a implantação de uma autoescola militar, dentro da Brigada em Dourados, onde os recrutas e soldados poderão se habilitar para as categorias B, C, D, e E gratuitamente. Já estamos com veículos doados pela Receita Federal, que foram apreendidos na faixa de fronteira, e serão utilizados pelos alunos. O curso será homologado dentro das normas estabelecidas pelo Detran [Departamento de Trânsito], e estamos adequando as dependências do batalhão para que as aulas sejam ministradas. Esta iniciativa otimiza nosso trabalho, já que teremos mais mão de obra devidamente capacitada para a condução dentro do batalhão.

D.N – Com relação ao fato da 4ª Brigada ter sido a eleita para sediar o projeto piloto do Sisfron, o que isso muda dentro do batalhão, e como está o andamento dos investimentos?

M.P – No ano passado já recebemos 33 viaturas novas que são destinadas aos trabalhos que serão desenvolvidos dentro do Sisfron, e devemos receber mais uma demanda ainda este ano. O Sisfron muda no que diz respeito a sobrecarga de trabalho, e não à nossa operacionalidade. Nosso efetivo é fixo, mas o trabalho aumenta. Então o que o batalhão vai precisar é de melhorias no processo de gestão, e é justamente nisso que estamos trabalhando com a implantação de projetos e também as reformas na unidade. É um projeto diferenciado, que exige um trabalho diferenciado, então estamos plantando a estrutura necessária em todos os sentidos.

D.N – Sobre o fato desta ser uma Brigada com um trabalho que é executado dentro de uma faixa de fronteira importante e crítica, como você avalia o cenário?

M.P – Realmente a faixa de fronteira possui características diferentes, e importantes. Trabalhamos no combate a ilícitos e a dificuldade é maior, mas desenvolvemos nosso trabalho com muita competência. Não posso deixar de dizer que o comprometimento de quem trabalha na Brigada é grande, então todas as nossas atividades são executadas com base nisso e com muita competência.

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