Advogado e candidato a vereador é preso por coordenar invasões em Rosana

Inquérito mostra que acusado também incitou violência contra seguranças e chegou a criar grupo no Whatsapp para dar \"dicas\" a invasores

Da Redação


O advogado e candidato a vereador Samuel Lucas Procópio, de Rosana (SP), foi preso no final da tarde desta quinta-feira (25) por incitar uma série de crimes na região. A prisão preventiva do acusado foi expedida pelo Poder Judiciário após inquérito do Ministério Público Estadual (MPE).

O Jornal da Nova apurou que a prisão ocorreu no município de Teodoro Sampaio (SP). A reportagem entrou em contato com a defesa do advogado e com a subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Primavera, mas as ligações não foram atendidas.

As incitações para a prática de crimes ocorreram neste mês de agosto e foram direcionadas a diversas pessoas. Consta, ainda, que o denunciado, no mesmo período de tempo, instigou, por meio de palavras, inúmeras pessoas a desobedecer a ordem legal de funcionário público.

A investigação também mostra que o acusado instigou inúmeras pessoas a invadirem terreno e edifício alheio, por meio da violência, para o fim de esbulho possessório, além de se associar, inclusive com crianças e adolescentes, para o fim específico de cometer crimes.

O inquérito data o início do caso em 6 de agosto, quando diversas pessoas invadiram o aeroporto de Primavera, distrito de Rosana, de propriedade da Companhia Energética de São Paulo (CESP), e dividiram o terreno em lotes para moradia.

A invasão ocorreu motivada por uma propositura de ação de reintegração de posse proposta pela CESP. Como os invasores ameaçavam ingressar na Fazenda ao lado, foi proposta ação de interdito proibitório, pelo proprietário do imóvel.

Em ambas as ações foi deferida a liminar no sentido de que os invasores desocupassem a área invadida e não turbassem mais o terreno vizinho.

Após a concessão das liminares, mesmo sabendo das decisões, o advogado Samuel Lucas Procópio realizou reunião com os invasores e incentivou todos a ingressarem no imóvel novamente, desrespeitando as decisões judiciais proferidas.

“Saliente-se que o denunciado, que é candidato ao cargo de vereador neste Município de Rosana, na condição de advogado, convocou reunião com os invasores e disse que iria defendê-los na ação de reintegração de posse e determinou que todos novamente invadissem a propriedade da CESP”, traz trecho da investigação.

Grupo no Whatsapp

O inquérito data o início do caso em 6 de agosto, quando diversas pessoas invadiram o aeroporto de Primavera, distrito de Rosana, de propriedade da CESP, e dividiram o terreno em lotes para moradia - Foto: Jornal da NovaProcópio chegou a criar um grupo de Whatsapp, chamado “Companheiros do Lote”, em que dá dicas aos invasores de como reagir contra uma possível retomada forçada da área por parte dos oficiais da lei (Policiais e Oficiais de Justiça).

Em diversos áudios enviados pelo denunciado, pode-se verificar que ele diz como os invasores devem proceder caso a polícia chegue no local e informa toda a movimentação dos oficiais de justiça e policiais, para que os invasores não sejam pegos de surpresa.

Em um dos áudios ele diz: “rapaz, se começar a chover, a viatura vai sair. É o canal para entrar, pois o cara [policial] não vai ficar parado de moto aí”.

Em outro áudio, o advogado orienta os invasores: “era bom fechar o portão aqui em baixo enquanto tiver carregando os ferros aí. Deixar um de guarda para não deixar ninguém subir, que não conhece”.

Um dos áudios mostra exatamente que o denunciado fica monitorando a ação da polícia, mandando os invasores correrem quando os policiais aparecem.

A ousadia do denunciado é tão grande que em um dos áudios ele diz que: “a segurança privada contratada pela CESP a gente não respeita não”

“Em outras palavras, o denunciado instiga os invasores a agredirem eventuais seguranças privados, pessoas de bem, contratados pela CESP, que nada tem a ver com a questão”, diz outro trecho do inquérito.

Em um dos áudios, o denunciado instiga os invasores a ligarem para Delegacia de Polícia relatando um crime em Rosana, a fim de que a viatura da Polícia saia do local. “Ou seja, mais uma vez o denunciado instiga os invasores a cometerem crime, qual seja, o delito de falsa comunicação de crime”, mostra a ação do MPE.

Ideia macabra 

A série de áudios enviada ao grupo traz ainda a seguinte ideia: “pessoal, teve um companheiro que teve uma ideia brilhante aqui, mas não sei se vamos conseguir resolver. Segundo ele, tinha como conseguir umas abelhas, aquelas abelhas de criação, a Europa. Disse que ele tem umas caixas de abelha que tá no meio do mato trabalhando e não sei se ele vai conseguir trazer, mas se alguém tivesse conhecimento, se tivesse essas abelhas mesmo e amanhã nós tivéssemos como colocar nas barricadas lá em baixo, não tinha diabo de policia que entrava lá dentro. Deixava a abelha meia oriçada lá, era só destampar ela, rapaz não tem quem chega perto, não tem quem vá lá, entendeu? É uma estratégia boa também ... arruma umas três caixas dessas abelhas que ele tem criação, arrumava essas caixas de abelha, fazia uma nova barricada ali e deixava as abelhas ali meio mocosadas, tampava para eles não chamarem os bombeiros, amarrava no portão, se eles subirem no portão vai ser tanta picada de abelha que pião vai voltar que vai voltar cavucando para trás”.

Em mais um áudio, o advogado e candidato a vereador induz a outro erro, informando as pessoas que “nós temos uma liminar em São Paulo”, quando, na verdade, não há decisão nenhuma que garanta a permanência dos invasores no imóvel.

“E mais! Neste mesmo áudio, o denunciado induz os invasores a levar em facões e enxadas para o local, para mostrar para polícia que eles também têm um poderio bélico, com a finalidade de intimidar os agentes da lei”, revela outro trecho do inquérito.

Ao justificar a necessidade da prisão preventiva do advogado, o documento completa: “as condutas criminosas praticadas pelo denunciado e seus comparsas estão causando verdadeiro pânico na cidade de Rosana, eis que já houve duas invasões ao imóvel da CESP, uma delas coordenada por ele”.

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