Antonio Russo*
A história se constrói no encontro do tempo com a memória. As homenagens que fazemos a todos aqueles que um dia marcaram as nossas vidas são a maneira simbólica que encontramos para dizer que a alma permanece viva e que as lembranças são a força vital de nossa existência.
Há cinco anos, em 17 de novembro de 2006, o Brasil perdia Ramez Tebet. Ele continua sendo uma das principais referências políticas de Mato Grosso do Sul. Sua biografia e sua trajetória política continuam vivas no coração dos sul-mato-grossenses.
Ramez tinha política no sangue. Ele era hábil, inteligente, um administrador competente, e, desde muito cedo, revelou-se figura humana especial. Sua verdadeira vocação sempre foi liderar, convergir e se dedicar aos interesses coletivos.
Ramez foi vítima de câncer, mas isso nunca o derrubou. Ele soube como poucos enfrentar as adversidades, e jamais fez da doença um fardo, não permitindo que essa tragédia pessoal fosse utilizada como instrumento de vitimização e propaganda política. Ele tinha noções morais claras que o faziam separar com extrema sabedoria a vida pública da vida privada. Sua carreira, neste aspecto, foi um tributo à coerência e ao bom senso.
Na sua longa e rica carreira pública destaco sua escolha, em junho de 2001, pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, como ministro da Integração Nacional. Três meses depois, por imposição da política partidária e por sua imensa capacidade de articulação, deixou o Ministério para presidir o Congresso Nacional. A partir daí tornou-se a principal referência sul-mato-grossense da política nacional.
Com sua tranqüilidade e forma de agir conciliadora, Ramez conseguiu devolver a paz e a harmonia ao Senado em um de seus períodos políticos mais conturbados. Cumprindo determinação partidária, ele ocupou a presidência do Senado logo após o processo de cassação do senador Luiz Estevão, e da renúncia de outros dois senadores.
Este foi um momento conturbado que testou Ramez de todas as formas. Mas ele conseguiu superar a crise e criar um ambiente propositivo no Senado. Exerceu a Presidência da Casa entre setembro de 2001 e fevereiro de 2003. Em 1º de janeiro de 2003, deu posse a Luiz Inácio Lula da Silva no cargo de Presidente da República.
Nas eleições de 2002 foi reeleito para o Senado Federal com mais de 730 mil votos, tornando-se o político com maior votação na história de Mato Grosso do Sul.
Assim, passados esses cinco anos, mesmo que tenhamos excelentes homens públicos em nosso Estado, podemos tranquilamente dizer que Ramez Tebet foi e será, em nossa memória, um dos nossos maiores líderes político.
A ética era a sua premissa básica. Mesmo diante dos maiores desafios e dificuldades, ele nunca deixou de lado a dignidade, a correção e seus preceitos morais. Seu republicanismo era um exemplo a ser seguido.
Ramez Tebet deixou um legado de respeito à coisa pública. Foi um ponto alto da política brasileira, motivo de orgulho para o Mato Grosso do Sul. Que o seu espírito e seu exemplo continuem a nos iluminar, nos ajudando, no plano espiritual, a continuar lutando com determinação para construir um futuro melhor para o País.
*senador de Mato Grosso do Sul
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